Como funcionam as relações sociais no ambiente empresarial?

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Capitalismo estimula a competição e o individualismo entre os trabalhadores

As relações sociais vivenciadas dentro das empresas acabam por reproduzir a estrutura da sociedade de classes. Difunde-se um conjunto de ideias e valores entre as pessoas que somente visa a manutenção de uma determinada ordem social, onde o principal objetivo é o lucro e eternização do poder da classe parasitária patronal.

A ideologia capitalista das empresas procura impor diferenças entre os trabalhadores, seja na forma de cargos, promessas de cargos, salários ou vantagens e privilégios pessoais, tendo como foco principal provocar um clima de disputa velada e conflitos entre as pessoas. Fazendo com que vivam na busca incessante da tão sonhada “ascensão social” dentro e fora da empresa.

Alguém dirá que a disputa entre os trabalhadores no ambiente de trabalho é uma relação saudável, fazendo uso de argumentos um tanto convincentes a muitos. Mas essa disputa realmente é saudável? Ela é saudável para quem? É saudável, mas apenas para o patrão!

Muita estrela para pouca constelação
Ao fazermos uma comparação, as empresas funcionam como se fossem clubes de futebol, onde é pregada uma visão de equipe em que todos jogam no mesmo sentido numa ansiosa busca pelo gol. Porém, acabamos por esquecer que, muitas das vezes, o salário da estrela do time equivale à somatória dos salários de vários jogadores juntos.

Assim, percebemos que a equipe não se esforça apenas em busca do gol e pela gloriosa vitória do seu time, e que muito além da bola, correm atrás do “sucesso” individual e da vida material. Quem sabe um dia, possa vir a conquistar um alto salário, assim como o da estrela do time, e possa comprar os mesmos carrões, iates, etc.?

A ideologia das empresas une ou separa os trabalhadores?
A finalidade da ideologia empresarial é justamente dividir os trabalhadores, pois justamente nos momentos das lutas, em que é necessária a união de toda a classe, boa parte dos trabalhadores não apoia ou opta por não participar das lutas. Não participa simplesmente por medo ou por trazer consigo a ideologia patronal como se fosse pôr a perder a construção da imagem de “bom empregado”, manchar sua carreira profissional ou minar a possibilidade de “ascensão” na empresa que trabalha.

É necessário restaurar a consciência de classe entre todos os trabalhadores e desvendar a farsa dos valores patronais, que apenas usam as pessoas como meras ferramentas de produzir lucro e manter o status quo do sistema vigente. Tanto que, quando os trabalhadores se unem e a ideologia patronal falha, são usadas as mesmas ferramentas do aparato estatal contra os trabalhadores, como a polícia, a Justiça, etc… Assim, fica evidenciado que, apesar da ditadura ter “acabado” no país, o regime ditatorial patronal continua vivo, firme e forte. A “boa convivência” entre patrão e empregado não passa de uma máscara.

Por que a maioria com cargos de chefia não participa das lutas?
Fica um convite àqueles que almejam ocupar cargos de liderança ou já ocupam como supervisores, engenheiros, coordenadores, etc…. É importante que revejam seus conceitos, pois vocês também têm o direito de lutar, de participar de greves, de expor as suas opiniões e ajudar a decidir o destino da classe operária, porque somos todos trabalhadores e unidos seremos mais fortes.

Hoje, o sistema impõe que os empregados em tais funções ajam apenas como meros “capatazes do patrão” que em troca recebem um melhor salário e privilégios às custa da exploração dos demais. Tornam-se “cães” fiéis e, assim, motivados a dar as costas para as lutas e aos objetivos da classe à qual pertencem.

Márcio Toledo é petroleiro  e membro do PSTU de Campinas