Combatividade e repressão marcam Grito dos Excluídos no Rio de Janeiro

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Grito dos Excluídos no Rio de Janeiro

Os governos tentaram mas não conseguiram desmobilizar este que foi um dos maiores e mais combativos atos da história do Grito dos Excluídos no Rio de Janeiro

O 19º Grito dos Excluídos, no Rio de Janeiro, refletiu o clima de mobilização iniciado no mês de junho, com as grandes manifestações da juventude e dos trabalhadores. Neste 7 de Setembro, cerca de três mil manifestantes foram às ruas para gritar o Fora Cabral e dizer não à entrega do petróleo brasileiro.

A concentração começou pela manhã. Vários sindicatos, movimentos sociais e organizações de esquerda se encontraram às 10h, na esquina da rua Uruguaiana com a av. Presidente Vargas, e saíram em caminhada até o monumento do Zumbi dos Palmares.

 “Nós temos que conquistar a nossa verdadeira independência, com a garantia da soberania nacional. A primeira tarefa é barrar a jornada de leilões de petróleo. No mundo inteiro se faz guerra pelo petróleo e a presidente Dilma Roussef quer entregá-lo de mão beijada ao capital internacional”, defendeu o presidente do PSTU no estado do Rio de Janeiro, Cyro Garcia, lembrando o que deve ser o maior leilão de petróleo da história, a entrega do Campo de Libra, prevista para acontecer no mês de outubro.

O tema Fora Cabral foi predominante em toda a manifestação. “Cabral é ditador” e “Povo na rua, o que é que você faz? Fora Cabral e Eduardo Paes” foram cantados do início ao fim da passeata. Mesmo diante de uma manifestação pacífica, os governos estadual e federal usaram da força policial de forma covarde, na tentativa de impedir a livre manifestação. Na altura do Palácio Duque de Caxias, próximo à Central do Brasil, a Polícia Militar jogou bombas de gás lacrimogêneo contra os manifestantes. Mas não tiveram sucesso em dispersar o ato. Os ativistas seguiram em caminhada.

“Nós temos um governo que não tem a mínima moral para estar ocupando o Palácio Guanabara. Sérgio Cabral incita a violência policial no estado, criminaliza a pobreza e os movimentos sociais, como aconteceu na Rocinha, onde existe a farsa da UPP que levou ao desaparecimento do pedreiro Amarildo”, denunciou Cyro.

Os governos tentaram, de todas as formas, desmobilizar o Grito dos Excluídos. A prisão dos ativistas, a propaganda sobre a repressão ao uso de máscaras e a “carta branca” à ação dos militares durante a manifestação, anunciada pelo Comando Militar do Leste, tiveram como objetivo aterrorizar a população para que esta não fosse ao ato.

Às vésperas do 7 de setembro, Dilma, mais uma vez, foi à televisão para defender as políticas do governo como promessas de melhora das condições de vida dos trabalhadores. As tentativas de intimidar e iludir a população não foram suficientes. Ao contrário, além de terem que diminuir o tempo do desfile oficial e retirar corporações que normalmente se apresentam, como a Tropa de Choque da PM, não conseguiram impedir o que foi um dos maiores e mais combativos atos da história do Grito dos Excluídos no Rio de Janeiro, só possível devido à nova situação da luta de classes no país. 

Liberdade para os presos políticos
A repressão ao movimento tem se intensificado nos últimos dias. Na última quarta-feira (4), ativistas ligados ao Black Bloc foram presos em suas casas. No ato deste sábado (7), houve novas prisões. Ao todo foram 24 detidos. Entre eles estava um jornalista de um veículo de informação alternativo. Outros jornalistas foram intimidados. Um PM chegou a apontar uma escopeta contra um fotógrafo do jornal Opinião Socialista. Outros utilizaram armas de choque contra membros da imprensa.

“Queremos expressar nossa solidariedade pois, apesar das nossas diferenças, exigimos a libertação dos companheiros ligados aos Black Blocs. Estão querendo instalar um estado policial no Rio de Janeiro. Não podemos permitir. Temos que lutar pela libertação de todos os presos políticos”, defendeu Cyro Garcia. 

Construir uma ampla unidade dos lutadores
Após a jornada de junho, o clima de mobilização se estende a várias categorias que estão em campanhas salariais, a exemplo dos professores que há um mês se enfrentam contra Cabral, Eduardo Paes e outras prefeituras . Trabalhadores dos Correios, por sua vez, estão em estado de greve. Petroleiros e bancários devem entrar em cena ainda em setembro. Além disso, segue a luta pela solução do caso Amarildo e pelo Fora Cabral.

A unidade dos lutadores, expressa na manifestação do 7 de setembro, será fundamental para o fortalecimento das lutas dos trabalhadores e juventude.

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