CE: Em greve, professores, estudantes e técnicos das universidades estaduais ocupam Assembleia Legislativa

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Assembleia Legislativa ocupada pelos grevistas

Os três segmentos universitários das três universidades estaduais do Ceará estão em greve desde o dia 29 de outubro

Chocando-se diretamente com a falta de diálogo e a intransigência do governador Cid Gomes, professores, estudantes e técnicos administrativos da Universidade Estadual do Ceará (UECE), Universidade Estadual do Cariri (URCA) e Universidade Estadual do Vale do Acaraú (UVA) ocupam, desde o final da tarde da última quarta-feira, 27, o prédio da Assembleia Legislativa do Estado. A ação faz parte da greve geral deflagrada no dia 29 de outubro e tem como principal exigência a realização de uma audiência com o governador.
 
A pauta de reivindicações é a mesma entregue, ainda em 23 de fevereiro de 2011, à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Educação Superior (SECITECE) e ao Gabinete do Governador (GABOV). Com a paralisação e a recente ocupação, o movimento grevista chama a atenção para a falta de diálogo e constante negativa do governador em abrir um canal efetivo de negociação sobre as reivindicações que incluem, sobretudo, a necessidade urgente de realização de concurso público para professores e técnico-administrativos, a regulamentação do Plano de Cargos, Carreira e Vencimentos (PCCV) e o estabelecimento de uma política suficiente de assistência estudantil.
 
Embora, em nota, o governo do Estado tenha anunciado que triplicou o orçamento destinado às universidades públicas estaduais, o movimento grevista ressalta que as verbas destinadas estão muito aquém das necessidades de custeio e investimento. “Sem recursos para reparos e conservação, os prédios e instalações se deterioram a olhos vistos em todos os campi da UECE, URCA e UVA. Não existem gabinetes para professores, nem salas e equipamentos para laboratórios e grupos de pesquisa.”, aponta nota do movimento grevista.
 
De acordo com o movimento, existe uma recusa por parte do governador Cid Gomes em realizar concurso para repor vagas causadas por aposentadorias, ajustes curriculares e abertura de cursos de pós-graduação. O resultado disso são os gastos excessivos com terceirizações e com a carência de trabalhadores que chega a 789 professores (295 na UECE, 309 na URCA e 185 na UVA) e, pelo menos, 988 servidores técnico-administrativos para se chegar aos 2.500 necessários para atender a uma demanda de 45 mil estudantes.
 
Sem diálogo
Desde 14 de novembro de 2012, quando ocorreu uma audiência entre o governador Cid Gomes e o movimento grevista, existe a espera para realização de uma nova sessão solene para dar continuidade ao diálogo das demandas que, na ocasião, foram todas negadas. Contudo, mesmo após sucessivas tentativas e pressões, isso não ocorreu. Na semana passada, houve uma primeira reunião em que o governo, por meio de seu representante, sugeriu o fim da greve. Uma vez não tendo sido aceito, nova reunião foi marcada para o dia 26 de novembro, mas desmarcada às vésperas pelo representante. Para o movimento, mais uma prova do constante do descaso.
 
Ocupação da AL
A ocupação do plenário principal da Assembleia Legislativa no final da tarde de quarta-feira, 27, ocorreu durante solenidade em homenagem ao servidor público e contou com cerca de 100 participantes. Uma vez interrompida a sessão, foi montada uma comissão com representantes do comando de greve para fins de negociação com o presidente da Casa, o deputado Tin Gomes (PHS). Na ocasião, foi aprovada uma pauta que incluiu: garantia da integridade física dos manifestantes; entrada de alimentos e mantimentos; elaboração de uma lista de pessoas para entrada e saída; tempo de exposição na TV Assembleia; audiência para discutir autonomia universitária.
 
 
Durante as primeiras horas da ocupação, o governo do Estado mostrou, mais uma vez, por meio da disposição do Batalhão de Política de Choque na porta da Assembleia Legislativa, toda sua falta de disposição em dialogar com os grevistas. Houve ronda provocativa de caminhões da Tropa de Choque e isolamento dos manifestantes dentro do prédio da Assembleia Legislativa, com tentativa de impedir a entrada de parlamentares. Já na manhã desta quinta-feira, 28, houve descumprimento do acordo firmado e o Batalhão de Choque passou a ocupar o prédio da Assembleia Legislativa.
 
Com isso, após reivindicações, foi realizada nova reunião extraordinária da Comissão de Ciência, Tecnologia e Educação Superior, autorizando a realização de uma audiência pública para tratar da pauta de reivindicações e da autonomia universitária. Contudo, não tendo havido sinalização sobre encontro com o governador Cid Gomes, a ocupação segue com apoio de movimentos sociais e manifestantes que organizam acampamento em frente ao prédio, somando força à exigência para que o governador negocie com os grevistas e apresente soluções concretas para os graves problemas que passam as universidades estaduais cearenses.
 
 

 
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