Categoria atropela indicativo da FUP e greve continua na maioria dos sindicatos

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Bases onde a mobilização foi suspensa, muitas delas com resultados apertados e votações-relâmpago, devem realizar novas assembleias para retomar a greve

A greve continua! Apesar da Federação Única dos Petroleiros (FUP), que cometeu o enorme equívoco de indicar a aceitação de uma proposta com desconto dos dias parados e brecha para punições aos lutadores, nacionalmente os petroleiros vêm dando um claro recado: podemos muito mais, é inadmissível desmontar a greve justamente no momento em que ela forçou a companhia a recuar.

Além dos sindicatos da Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), que seguem firmes na greve, nas assembleias de ontem (13) e deste sábado (14) nas bases da FUP o indicativo de aceitação foi rejeitado no Espírito Santo, Ceará/Piauí, Minas Gerais, Duque de Caxias e Norte Fluminense.

E o melhor: a maior parte das votações onde o indicativo da FUP foi rejeitado aconteceu em bases importantes e por ampla diferença de votos. Um exemplo é o Norte Fluminense, onde a categoria decidiu pela manutenção da greve num clima de grande disposição de luta. Como disse o companheiro da oposição ao Sindipetro-NF, Mateus Ribeiro, em áudio que circula nacionalmente via whats app, “foi uma lavada”. Somando os resultados das assembleias de Campos e Macaé, foram 601 votos pela manutenção da greve e apenas 192 pelo fim da greve e assinatura do ACT.

Retomar já as assembleias onde a greve foi suspensa!
Para nós, diante deste quadro de ampla rejeição da proposta da companhia, com grande disposição de seguir a luta, é fundamental que novas assembleias sejam realizadas nas bases onde a greve foi suspensa para que ela possa ser retomada, unindo novamente nacionalmente os 17 sindicatos na luta contra a retirada de direitos e a venda de ativos.

Sabemos, aliás, que a votação na maior parte dessas bases foi aperta e que muitas delas aconteceram em assembleias marcadas às pressas. E o pior: foram marcadas assembleias para votar o indicativo da FUP horas antes do próprio indicativo ser anunciado. No mínimo, estranho. Outro detalhe, não menos importante, é: como votar sobre a assinatura ou não de uma proposta sem uma análise minuciosa da assessoria jurídica sobre a redação do novo ACT? Ou, por acaso, foi possível analisar mais de 100 páginas em menos de 24 horas? Recebemos a proposta na íntegra apenas sexta-feira! Neste sentido, é muito importante que as bases onde a greve foi suspensa (Unificado SP, Rio Grande do Sul, Amazonas, Rio Grande do Norte e Bahia) o acordo não seja assinado. Companheiros, o jogo ainda não acabou, vocês podem voltar ao campo, voltar à luta!

E aos sindicatos que realizam assembleias na segunda-feira, ou novas assembleias como é o caso de Duque de Caxias, reforçamos o chamado para que garantam a manutenção da greve, uma vez que é ponto de honra o abono dos dias parados e nenhuma punição. Pela proposta atual, está muito claro que a empresa pretende sim punir os lutadores. Afinal, ela diz claramente que quer discutir com os sindicatos possíveis excessos. Não, não há o que discutir, pois não aceitamos nenhuma punição. Na segunda-feira, também realizam assembleias os sindipetros Paraná/Santa Catarina e Paraíba/Pernambuco.

Comando Nacional de Greve
Neste sentido, uma proposta que os petroleiros do Litoral Paulista já levaram aos demais sindicatos, mostra-se fundamental: a construção de um Comando Nacional de Greve, que envolva toda a categoria nas decisões dos rumos de nossa greve, que entra numa fase decisiva. Para isso, é muito importante que as assembleias de todos os sindicatos elejam um ou mais companheiros de base para compor este comando. Por diversas vezes, o Sindipetro Litoral Paulista buscou construir a unidade dos 17 sindicatos para realizar uma greve nacional, inclusive por meio deste comando. Para nós, neste momento crucial, essa necessidade se torna imperiosa.

Além disso, como parte da responsabilidade deste comando, reafirmamos também nossa proposta para que a negociação de nossas reivindicações sejam feitas diretamente com o Governo Federal, que é na prática quem manda no jogo. A diretoria da companhia, assim como o presidente Aldemir Bendine, já deram várias demonstrações que não estão dispostos a negociar de fato nossas exigências. Afinal, manter o desconto dos dias parados e margem para punições não é postura de quem afirma apostar na mesa de negociação como a melhor ferramenta para se chegar a um acordo.

Em nossa opinião, os avanços conquistados até aqui só ocorreram graças à mobilização da categoria. Uma greve histórica, certamente a maior desde 1995, que já se demonstra vitoriosa. Não temos dúvidas sobre isso. Mas igualmente não temos dúvidas de que podemos muito mais. E a categoria também opina dessa forma. Aos valorosos companheiros, que se enfrentam com a gerência, com os chefes assediadores e neste momento, inclusive, com as direções que não quiseram seguir na luta, nossos parabéns! Parabéns aos petroleiros das bases da FUP que disseram não à aceitação da proposta. Juntos, somos mais fortes!

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