“Carne Fraca”: Prisão dos envolvidos e estatização das empresas sob o controle dos trabalhadores

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Operação deflagrada pela Polícia Federal na manhã desta sexta, 17, está chocando o país pela perversidade do esquema de corrupção envolvendo o governo, partidos como PP e o PMDB e grandes frigoríficas para a venda de carne podre e adulterada.

A Operação “Carne Fraca” atinge as principais frigoríficas do país como a JBS (das marcas Friboi Seara) e a BRF (Perdigão e Sadia), num total de 30 empresas. Foram emitidos 38 mandados de prisão.

O esquema envolve o pagamento de propina pelas empresas a fiscais do Ministério da Agricultura para a liberação de carnes podres, adulteradas, algumas até com a inclusão de papelão. O ministro da Justiça, Osmar Serraglio, recentemente nomeado por Temer, aparece nas investigações em grampo telefônico com o superintendente do Ministério da Agricultura, Daniel Gonçalves, apontado como o chefe do esquema.

Na escuta telefônica, o então deputado federal Serraglio reclama com Daniel, o qual chama de “grande chefe”, de uma fiscalização a um frigorífico do Paraná. O dono do frigorífico foi um dos que tiveram a prisão preventiva decretada. Apesar de indícios claros de envolvimento do atual ministro, porém, o juiz do caso, Marcos Josegrei da Silva, assim como o Ministério Público Federal, afirmaram não haver “elementos suficientes” para pedir a investigação de Serraglio.

Osmar Serraglio, para quem não se lembra, foi um dos homens fortes do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Na época, chegou a cobrar aos colegas a “anistia” a Cunha para salvá-lo da cassação. O atual ministro da Justiça também foi financiado pela JBS nas últimas eleições, que doou R$ 200 mil à sua campanha. A empresa foi a maior doadora a candidatos, distribuindo R$ 61,2 milhões a 21 partidos diferentes.

A JBS também foi a maior doadora da campanha de Dilma Roussef (PT) na campanha de 2014, repassando R$ 72,3 milhões à petista. Para o tucano Aécio Neves foram outros R$ 40,2 milhões. O grupo foi agraciado em R$ 3,5 bilhões em empréstimos pelo BNDES na estratégia do então governo do PT em beneficiar um pequeno grupo de empresas, as chamadas “campeãs nacionais”.

Prisão e estatização sob o controle dos trabalhadores
O esquema revelado nesta sexta-feira causa consternação ao mostrar até onde chega a ganância e sede por lucros das grandes empresas, associados a políticos e partidos corruptos. Os produtos adulterados iam até mesmo para a merenda escolar, como no Paraná, onde crianças consumiam carne adulterada com substância cancerígena.

Esse descaso à saúde da população estende-se aos trabalhadores das empresas. A JBS é campeã de acidentes de trabalho entre 2011 e 2014, conforme levantamento da agência Pública.

Esse mais recente escândalo mostra mais uma vez as relações espúrias entre as grandes empresas e o governo, no caso tanto o governo Lula e Dilma, quanto Temer, além do PSDB, PMDB e PP. Todos lucram e a população é obrigada a comer carne podre, com papelão e substâncias químicas cancerígenas.

É preciso prender os responsáveis por esse absurdo. Prender e confiscar os bens dos donos dessas empresas e dos políticos envolvidos. É necessário investigar e punir inclusive o ministro Osmar Serraglio, que conta até agora com a blindagem da Justiça. Prisão e o confisco dos bens de todos os corruptos e corruptores.

E agora, tem que se perguntar ainda: o que vai acontecer com os trabalhadores dessas empresas? Vão para o olho da rua como os operários das empreiteiras envolvidas na Lava Jato? Não pode ser que os trabalhadores paguem mais uma vez pela corrupção dos patrões e do governo. Temos que exigir a estatização, sem indenização, das empresas envolvidas, sob o controle dos trabalhadores. Um setor como esse não pode ficar nas mãos e à mercê da ganância de um punhado de bilionários e de políticos corruptos.