Cai Secretário de Educação do Paraná. Agora, falta Beto Richa.

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O governando Beto Richa (à esq.) e o ex-secretário da Educação Fernando Xavier

Anúncio de exoneração deverá ser feito nos próximos dias

Uma semana depois da brutal repressão desencadeada pelo governo Beto Richa (PSDB) contra os professores em greve do Paraná, o secretário da Educação, Fernando Xavier Ferreira, foi demitido nesta quarta-feira, dia 6. Oficialmente, Xavier teria pedido demissão. Mas, segundo informação divulgada pela Folha de S.Paulo, a saída do secretário foi acertada em acordo com o governo.

Xavier é o primeiro a ser responsabilizado pela vergonhosa operação policial que deixou cerca de 200 feridos durante a manifestação de professores, no dia 29 de abril.



A repressão, ao invés de enfraquecer a mobilização, acabou tendo repercussão internacional. As imagens da violenta ação da PM, com balas de borracha, bombas de gás, canhões de água e até mesmo ataques de cães contra os professores, acabou causando uma indignação geral em todo o país.



O secretário de Segurança, Fernando Francischini, também está com a “corda no pescoço”, mas por enquanto foi mantido no cargo. Mas, não sem crise. Nesta quarta, o comandante-geral da Polícia Militar, Cesar Kogut, junto com quinze outros coronéis da PM, assinou um manifesto de repúdio às declarações do secretário.



Na carta, os coronéis dizem que Francischini não pode simplesmente jogar a culpa na tropa, sem assumir parte da responsabilidade. Dizem que ele participou do planejamento, foi informado da possibilidade de haver feridos e aprovou o plano de contenção. Mais do que isso, foi informado durante os fatos sobre tudo o que estava acontecendo na Praça Nossa Senhora da Salete.

Fora Beto Richa
Ontem, um novo protesto em Curitiba reuniu cerca de 20 mil pessoas e a categoria decidiu manter a greve que completou 11 dias nesta terça. Cartazes e faixas com inscrições de “Fora Beto Richa” marcaram a manifestação.



No final de semana, Richa foi alvo de vaias e palavras de ordem no estádio Couto Pereira, em Curitiba, onde ocorreu a final entre o Operário e Coritiba pelo Campeonato Paranaense. “Fora Beto Richa”, gritavam as duas torcidas, que reuniram cerca de 25 mil torcedores. A torcida do Atlético, na Arena da Baixada, também gritaram contra o governador.



Desde o início do ano, o governo do Paraná tenta implementar um forte ajuste fiscal, que inclui ataques à educação pública e à Previdência, entre outros. Em fevereiro, os servidores eles ficaram um mês parados.  O governo tucano foi obrigado a recuar após uma manifestação de mais de 50 mil servidores. O prédio da Assembleia Legislativa chegou a ser ocupado por duas vezes. Na segunda, foi ocupado por mais de 1.500 manifestantes e os deputados tiveram de fugir dentro de um camburão da polícia.



Na semana passada, à custa de um aparato de guerra que cercou a Assembleia Legislativa e impediu a entrada dos manifestantes, o governo conseguiu aprovar mudanças na Previdência. Mas, o desgaste e a crise política não cessaram e a luta da categoria se fortaleceu.



A saída do secretário é uma primeira vitória dos professores paranaenses, que merecem o respeito e o apoio dos trabalhadores de todo o país”, avalia o professor da rede estadual paulista e dirigente do PSTU de São José dos Campos, Ernesto Gradella.



O Brasil precisa de uma Greve Geral da Educação, pois os ataques ao ensino público é uma prática de todos os governos, sejam do PSDB, PMDB, PT, PSB e outros. De uma forma ou de outra, todos estão aplicando ajustes fiscais, que tiram dinheiro de áreas sociais, principalmente da educação, para repassar a banqueiros e empresários”, defende Gradella.



A luta no Paraná demonstra que o PSDB de Beto Richa, Aécio Neves e Geraldo Alckmin não é alternativa ao governo do PT, PMDB e seus aliados. Precisamos construir um terceiro campo dos trabalhadores, independente de patrões e partidos burgueses, por um governo dos trabalhadores sem patrões e sem corruptos”, avalia.



Os professores da rede pública fazem greve em cinco estados do país. Além do Paraná, a categoria também paralisou as atividades em São Paulo (onde a paralisação já ultrapassou os 50 dias e enfrenta a intransigência de Alckmin), Pernambuco, Pará e Santa Catarina.

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