BA: Soteropolitanos vão às ruas e são reprimidos mais uma vez

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Manifestação no dia 20

Cerca de 30 mil pessoas participaram da manifestação pacífica em Salvador que foi recebidos com grande repressão pela Polícia Militar

Nesta quinta-feira, dia 20, as ruas de Salvador foram tomadas novamente pelos soteropolitanos que se somam à luta nacional iniciada há algumas semanas. Os atos aconteceram em mais de cem cidades brasileiras com milhares de pessoas protestando em solidariedade às lutas da população de São Paulo e do Rio de Janeiro contra o aumento das passagens, contestando a precariedade do sistema de transportes da cidade e cantando palavras de ordem como: “Da copa eu abro mão, eu quero investimento pra saúde e educação”, contra os investimentos abusivos nos grandes eventos esportivos sediados no Brasil.

Pouco antes das 14h, o Campo Grande, local de concentração do ato, já estava completamente tomada por milhares de pessoas. Cerca de 30 mil, com seus cartazes e palavras de ordem, chamavam a todos, que passavam nos ônibus e pelas ruas, a se somarem à  manifestação pacífica. Com a presença de movimentos sociais, partidos políticos, famílias, estudantes e trabalhadores, o ato se iniciou antes das 16 horas.

Próximo do Forte São Pedro, a maior parte dos manifestantes seguiram o percurso definido em última assembleia do movimento e se direcionaram à Arena Fonte Nova, pelo Politeama. Contudo, uma parte dos manifestantes se direcionou à Avenida Sete de Setembro, com o mesmo objetivo de chegar à Arena Fonte Nova.

Já eram quase 17 horas quando o ato chegou ao Largo dos Barris, na entrada do Dique do Tororó, que dá acesso à Arena Fonte Nova. Havia uma barreira montada da Polícia Militar, Tropa de Choque e Cavalaria, com o intuito de impedir o prosseguimento do ato e manter a normalidade em torno do estádio de futebol, onde acontecia o jogo entre Uruguai e Nigéria.

Bastaram 5 minutos de aproximação dos manifestantes ao bloqueio para que fossem lançadas as primeiras bombas de gás lacrimogênio, pela polícia, com o objetivo de dispersar e desfazer o ato. Foram esses primeiros estouros das bombas de efeito moral que deram inicio às cenas mais bárbaras dos últimos anos em Salvador.

A polícia militar, a serviço do governador Jaques Wagner (PT)  e do Prefeito ACM Neto (DEM),  recebeu os soteropolitanos com bombas, spray de pimenta e tiros. Uma prática truculenta já conhecida pela população pela era Carlista que a Bahia viveu. Com menos de trinta minutos de conflitos, já eram vistas centenas de pessoas passando mal, desacordadas, com falta de ar e muito sangue nas ruas.

Há  poucos metros de distância, a PM já havia entrado em conflito com os manifestantes que se direcionaram por outra via ao estádio, na Avenida Joana Angélica. Lá os manifestantes encontraram também uma barreira policial que impedia o prosseguimento da manifestação. A avenida, que é tomada pelo comércio e tem poucas vias de saída, se tornou uma praça de guerra devido à ação truculenta da PM.

A partir desse momento, o conflito entre os manifestantes e a PM durou cerca de 8h. Por volta das 21h já existiam conflitos em mais de 7 lugares da cidade com intensa repressão policial, com 4 ônibus incendiados e um estado de “ Campo de Guerra”, segundo relatos de manifestantes. O conflito terminou pouco depois da meia noite com centenas de feridos e suspeita de mortes.

 

É necessário localizar que, logo no início do ato, a coluna dos partidos de esquerda já era atacada com palavras de ordem  “Sem Partido”, e assim prosseguiu no ato com a incessante tentativa de nos retirar da mobilização. Posicionamentos ofensivos e posturas truculentas foram direcionados ao nosso partido e aos nossos militantes, constantemente provocados ao longo da manifestação.

Já iniciada a ação criminosa da PM, com centenas de feridos em diversos pontos da cidade, o bloco do PSTU, que estava próximo ao Largo dos Barris, sofreu ainda diversos ataques ofensivos  e perseguições de grupos que propagavam o ódio anti-partido, beirando ao confronto físico.

Nós do PSTU consideramos criminosa a ação da PM na noite de ontem, ao mesmo tempo em que consideramos absurdos os ataques ao nosso partido em Salvador e em diversas outras cidades no Brasil.

Vitórias já foram obtidas em diversas cidades do país. A luta não para e não recuaremos diante das agressões sofridas. Já houveram os que derramaram seu sangue em defesa das bandeiras vermelhas. Lutemos juntos: jovens e trabalhadores. Iremos as ruas contra a direita e os governos.