Atos marcam dia mundial em memórias às vítimas de acidentes e doenças de trabalho

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Ato em São José dos Campos (SP) contra acidentes de trabalho

Em alusão ao dia 28 de Abril , as CSP-Conlutas estaduais, sindicatos e movimentos sociais estão promovendo atos, assembleias e realizaram diversas ações. Confira os primeiros informes:

São Jose dos Campos (SP)
Em São José dos Campos, interior de São Paulo, cerca de 30 trabalhadores fizeram um  protesto em frente à Delegacia Regional do Trabalho (DRT). O ato faz parte das atividades do Dia Nacional em Memória das Vítimas de Acidentes e Doenças no Trabalho. Com cartazes nos quais se liam os nomes de algumas vítimas de acidentes fatais na região e os operários mortos nas obras da Copa, os ativistas — de diversos sindicatos e categorias — denunciaram as más condições de trabalho e a falta de segurança em seus locais de trabalho. Nas faixas, o recado era claro: “Basta de acidentes e mortes no local de trabalho!” Este foi também o teor dos discursos que exigiam prevenção aos acidentes de trabalho, fiscalização e multa às empresas que descumprem as normas de segurança e colocam o lucro acima da vida.

Fortaleza (CE)
Na manhã desta segunda-feira, 28 de abril,  ocorreu uma paralisação de motoristas, cobradores e operários da Construção Civil de Fortaleza (CE).  A paralisação contou mais de 2 mil operários de  viários canteiros  de obra e  cerca de 150  ônibus ( 300 rodoviários)  paralisados em um dos terminais da cidade. Esses trabalhadores traziam entre as reivindicações o combate aos acidentes e mortes no local de trabalho. Jornadas exaustivas, ritmo de produção acelerado, ambientes de risco e a busca incansável pelo lucro são algumas das causas dessas mortes. Os rodoviários e os operários estão em campanha salarial e os empresários se negam a discutir a pauta de reivindicação dos trabalhadores.

Rio de Janeiro
O  Setorial de Saúde e Saúde do Trabalhador está com atividades programadas para toda essa segunda-feira. Pela manhã, estava previsto panfletagem  no Hospital Universitário Pedro Ernesto e no Campus da UERJ. Às 15h  haverá um ato no Instituo Nacional do Cancer, na Praça Cruz Vermelha e as 17h30  panfletagem na Central do Brasil. Dia 29, haverá  ato às 10h, no Hospital dos Servidores e às 17h, haverá um ato dos Servidores Públicos Federais, na Praça da Candelária.

Neste 28 de abril, vamos dar basta às vítimas de acidentes de trabalho

O Brasil, país que sediará os jogos da Copa do Mundo, tem seu evento construído pelas mãos, suor e a vida dos operários. Durante a construção de estádios para o mundial, ao menos nove operários morreram nos canteiros de obras. Esse número pode ser ainda maior se forem somadas as mortes em outras obras e serviços indiretos.

As mortes ocorridas nas obras da Copa colocam em evidência a falta de segurança a que os trabalhadores brasileiros são submetidos. A pressa para atender os prazos e as altas cargas horárias cumpridas, além da falta de condições de trabalho, são hoje as maiores causas de acidentes no país. Quando o lucro vale mais do que a vida, os trabalhadores estão sujeitos a perder suas vidas e é o que vem acontecendo neste momento.

O Governo Federal tem sua parcela de culpa para esse grave quadro em que se encontra a saúde do trabalhador brasileiro. Mas não é somente por causa da Copa. Por dia, uma média de 5.500 pessoas morrem no mundo por enfermidades relacionadas ao trabalho, segundo a OIT (Organização Internacional do Trabalho). A principal causa das mortes são as doenças ocupacionais. Em média, a cada ano, de um total de 2,34 milhões de mortes relacionadas ao trabalho, 2,02 milhões são provocadas por doenças ocupacionais. O restante, 321 mil, se deve a acidentes.

A verdadeira causa desses números que agridem mais que uma guerra é a ganância dos empresários e o descaso dos governos, que não fiscalizam nem punem as irregularidades.

Com isso, os empresários têm toda liberdade para fazer o que bem entendem, submetendo o trabalhador às condições mais precárias, até mesmo, similares à escravidão.

 Recentemente, a CSP-Conlutas denunciou casos assim aos órgãos competentes. Resgatou nove trabalhadores em situação análoga à escravidão em uma obra da Prefeitura de São Paulo. Mas, nos últimos meses, esse número já ultrapassou 40 pessoas resgatadas em tais condições pela nossa Central.

Desmonte do MTE  
Nos últimos anos, tem ocorrido um verdadeiro desmonte do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e outras instituições responsáveis por fiscalizar e punir as empresas que descumprem a legislação.

A falta de auditores fiscais do trabalho, que deveriam cumprir o importante papel de fiscalizar é um exemplo disso. Atualmente, o MTE conta com pouco mais de 2 mil profissionais para realizar esse serviço no país inteiro.   A tendência é que esse número diminua a cada ano, já que o governo não abre concurso público para preencher as vagas deixadas por aqueles que se aposentam.

Diante desses fatos lamentáveis comprova-se que as prioridades do governo são outras.

Essa situação não pode continuar! Por isso, neste dia 28 de abril, dia em memória às vítimas de acidentes de trabalho vamos dar um basta! Em todo país sindicatos, movimentos sociais farão atos, assembleias, participe em sua cidade. Integre essa luta! (Com informações do Boletim especial do Fórum de Lutas do Vale do Paraíba)