Ato homenageia memória de Cecília Toledo, a Cilinha

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Fotos: Romerito Pontes e Sérgio Koei

Velhos e novos militantes se reúnem para celebrar memória e legado de Cilinha

O local não poderia ser mais propício. Na noite de 29 de setembro, um ato em homenagem à memória de Cecília Toledo foi realizado no tradicional Teatro Ruth Escobar, em São Paulo, organizado pelo PSTU, a Liga Internacional dos Trabalhadores, a LIT, e o Coletivo de Artistas Socialistas, o CAS. Entre as muitas atividades que Cilinha desenvolveu ao longo da vida, destaca-se seu trabalho como dramaturga e diretora de teatro, sempre ligado à causa dos trabalhadores e à luta contra o machismo.

Velhos e antigos militantes, jornalistas e artistas se reuniram para saudar a memória de Cilinha e o legado que deixou para as velhas e novas gerações. “Se hoje existe uma secretaria de mulheres da LIT, e em tantos países, é um triunfo de Cecília“, destacou Rosa Cecília, da Secretaria de Mulheres da Internacional, lembrando que os novos camaradas e os mais jovens vão pode se apropriar das contribuições deixadas por Cilinha. “A melhor homenagem que podemos fazer é seguir na luta pelo socialismo“, destacou.

Cecília foi fundamental e nos levou a estudar“, lembrou Carlos Ricardo, do CAS, que atuou e escreveu peças de teatro com Cilinha. “Nenhum país vai mudar sem cultura e educação“, ressaltou.

José Welmovick, o Zezoca, membro da direção da Liga Internacional dos Trabalhadores, ressaltou a contribuição de Cilinha em vários temas. De personalidade inquieta e sempre atenta à realidade em suas múltiplas facetas, Cilinha se debruçou sobre temas como a religião, imprensa operária, revolução chinesa, Bolívia, Argentina, que podem ser consultadas nas páginas da revista Marxismo Vivo. “Cilinha já doente fez parte da equipe que buscava resgatar os arquivos de Nahuel Moreno, indo para Portugal, Espanha e Inglaterra“, lembrou.

Zé Maria, da Direção Nacional do PSTU, dedicou sua fala aos jovens. Bastante emocionado, Zé lembrou de quando estava preso em 1977 pela ditadura, sendo libertado após uma mobilização puxada pelos estudantes e artistas. Cilinha autou ativamente nessas manifestações. “A última reunião que participei com ela foi em sua casa, ela já debilitada, cobrada da direção uma maior atenção em relação às questões da arte“, disse.

Ela viveu uma vida plena, pois não há como viver plenamente nessa sociedade se não for lutando contra essa situação“, afirmou. “Ela vai continuar vivendo em nossa luta, sempre“.

Alicia Sagra, cunhada de Cilinha e da direção da LIT, ressaltou a paixão com que ela se dedicava às suas tarefas, das mais importantes às mais corriqueiras. “Era uma mulher forte, de luta“. Alicia ressaltou a sensibilidade latente de Cilinha, que fez com que, na década de 1990, identificasse, em meio a enorme crise que se abatia sobre a esquerda revolucionária e à própria LIT, as mulheres fossem o setor mais afetado. “Ela se pôs-se a estudar, não o feminismo tão simplesmente, mas o marxismo“.

Sua única preocupação era que sua vida fosse útil até o fim“, disse.

Ao final do ato foi lida uma cena da peça “Rebeldia, Rebeldia”, de coautoria de Cilinha, terminando de maneira apoteótica com a música “Maria, Maria”, com as mulheres subindo ao palco. Com bastante alegria, como era Cilinha e como ela certamente gostaria de ser lembrada.

ASSISTA o vídeo com um pouco da história de Cilinha, exibido no ato