As lições de 2016 para as lutas da juventude

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Este ano parece não acabar mais. Mesmo nos últimos dias de dezembro, surgem novos fatos na crise política brasileira, que já se arrasta há meses. Tem sido também um ano intenso, no qual muitos jovens entraram na luta e na História na maior onda de ocupações de escolas e universidades conhecida. Mas a luta não acabou. Por isso, é hora de olhar para trás para sabermos os próximos passos a dar.

Qual o papel da onda de ocupações estudantis?
O número de escolas ocupadas deste ano entrou para a história mundial, pois superou a Revolução dos Pinguins chilena que até então era nossa referência de luta estudantil. Além disso, serviu para impulsionar a unidade com a luta dos trabalhadores. A aliança entre juventude e classe trabalhadora se mostrou na prática e o mês de novembro, com os dias de paralisação nacional (11 e 25), as Marchas da Periferia e o grande ato em Brasília, serviu para consolidá-la.

Em 2016 vimos se formar uma nova geração de lutadores, forjada em lutas extremamente radicalizadas. Por causa das ocupações, os ataques de Temer (PEC 55, a MP 746 e a própria reforma da Previdência e Trabalhista) tornaram-se de conhecimento da sociedade. Não fossem as lutas, é provável que uma parcela bem mais reduzida soubesse o que eles significam. As lutas estudantis se alastraram, visto que as ocupações tomaram o Brasil de norte a sul.

Muitos se questionam sobre o resultado das lutas deste ano. Primeiro, é preciso saber que enfrentamos inimigos poderosos. Como os políticos ligados aos ricos, a burguesia que controla as indústrias, o agronegócio e os bancos, a imprensa que manipula e deturpa tudo e também a Justiça que só criminaliza a nossa luta.

Não bastassem estes inimigos tivemos, no próprio movimento, que nos enfrentar com as direções burocráticas da Força Sindical, CUT, UNE entre outros que não se esforçaram pela unificação das lutas por terem optado por se comprometer com o atual governo ou com o projeto eleitoral em 2018, deixando os trabalhadores e os jovens jogados a própria sorte. Diante de todas estas dificuldades, nossa luta, organização e resistência foram uma vitória e precisamos compreender os limites com que nos deparamos para nos preparar para os duros embates de 2017!

A aprovação da PEC 55 não pode desanimar todos aqueles que ocuparam suas escolas, universidades, fizeram greves e mobilizações no último período! Apesar da aprovação da PEC, o governo está cada dia mais frágil, enlameado numa espiral de corrupção, crise institucional e, certamente, pelas medidas impopulares que vem apresentando, como a própria PEC e as reformas trabalhista e da Previdência. Por outro lado, apesar de todas as dificuldades, fomos capazes de dar uma resposta à altura de deixar um recado claro para o governo e os capitalistas: diante de cada ataque haverá enfrentamentos abertos.

A PEC é uma das medidas que a burguesia encontrou para nos explorar ainda mais. Longe de ser uma exclusividade do Brasil, isso faz parte da dinâmica de funcionamento do próprio capitalismo, basta recordar as medidas que tem sido aplicadas na Grécia, França e México, só para citar os exemplos recentes. Os deputados aqui, no restante da América Latina ou na Europa, a cada dia dão novas demonstrações de que não ouvem os trabalhadores e só fazem o que interessa aos de cima. Por isso, o resultado da luta tem que ser medido para além da aprovação da PEC 55 ou não. Afinal, a luta contra ela faz parte de uma luta muito maior contra o governo, a democracia dos ricos e contra o sistema.

A luta está dando passos importantes, apesar da proposta ter sido aprovada. Temos muitas lutas em 2017! Já começa em 2016 a mobilização contra a reforma da Previdência. Há possibilidades reais de derrubarmos Temer e outros que também atacam a juventude e os trabalhadores.

Uma democracia de costas para a maioria
A aprovação da PEC 55 e o acordão que sustentou Renan Calheiros (PMDB-AL) na presidência do Senado provam que não podemos depositar nossas fichas numa saída por dentro desta democracia dos ricos.

Afinal, mesmo com mais de 60% da população contrária a esta PEC, os senadores aprovaram um projeto que congela orçamento para saúde, educação e outras áreas sociais, condicionando seu ajuste ao pagamento da dívida pública, a bolsa-banqueiro. E fizeram isso utilizando bombas, tiros e muita repressão para massacrar a juventude e trabalhadores que se manifestavam por todo o país e principalmente em Brasília. O episódio entre Supremo Tribunal Federal e Senado desmascara mais uma vez essas instituições da democracia burguesa, que tem como prioridade assegurar apenas os interesses dos ricos.

O “Fora Temer” e “Fora todos” é mais atual que nunca. É preciso uma alternativa revolucionária por fora dessa democracia, que enfrente os interesses dos capitalistas. Isto só será possível quando os trabalhadores governarem através de Conselhos Populares, aliás, nada mais justo que aqueles que produzem o dia-a-dia debatam e decidam coletivamente os rumos que devem seguir. Uma rápida olhada nos noticiários pelo Brasil e no mundo todo encerra qualquer dúvida de que, do jeito que está, com esta casta política corrupta que decide para garantir os direitos dos capitalistas, é que não dá para seguir.

As ocupações foram uma pequena amostra disso. Com assembleias diárias, eram debatidas e tomadas decisões sobre pequenas e grandes questões. Desde os turnos de limpeza até o que fazer quando chegasse a reintegração de posse.

Quando era preciso eleger um (a) representante, todos e todas opinavam e, muitas vezes, se a pessoa escolhida não cumprisse com o que se esperava, podia ser trocada por uma nova assembleia – bem diferente do que acontece com deputados e senadores hoje.

Quais lições tirar das lutas de 2016?
O ano aponta para a necessidade de unificar as lutas estudantis com os trabalhadores por meio de uma greve geral, pois só essa aliança é capaz de barrar os ataques e derrubar Temer e todos que nos atacam.

Também aponta a necessidade de nacionalizar as lutas. As entidades estudantis nacionais reconhecidas pelo governo, como UBES e UNE, demonstraram que, mesmo sendo oposição ao governo, não cumprem com esse papel. No Paraná, representantes das entidades sentaram com o governo Beto Richa para negociar a desocupação de algumas escolas, mesmo com o posicionamento contrário da maioria, aprovado em Assembleia das escolas do estado.

A juventude do PSTU impulsiona a construção da ANEL, alternativa a essas entidades, que está totalmente a serviço da nacionalização e esteve na prática inserida nas lutas. Em muitos estados surgiram coletivos que constroem a ANEL, e achamos importante que a juventude se organize localmente mas que avance também para a compreensão de qual a saída de fundo para o país.

O Brasil precisa de uma revolução!
Mas a grande lição do ano é que o Brasil precisa de uma revolução. É preciso ter um programa nítido de enfrentamento com o capitalismo, senão os ricos sempre encontrarão um jeito de nos explorar e oprimir, e de nos fazer pagar a conta de uma crise que eles mesmos criaram.

Secunda organizado pra fazer revolução!
Para lutar por essa revolução devemos nos organizar porque os inimigos das lutas dos trabalhadores e estudantes são muitos e farão de tudo para impedir nossa vitória.

A juventude que ocupou escolas está se organizando e construindo coletivos em seu local de estudo, o PSTU está impulsionando estas iniciativas. Estes coletivos podem ser uma ferramenta para a organização estudantil com um programa revolucionário e socialista.

A necessidade de uma organização revolucionária, operária, internacionalista e socialista é urgente! Venha conhecer o PSTU e fazer parte de nossa juventude!