As Greves dos trabalhadores das Universidades Federais e o papel da juventude

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Manifestação dos servidores federais em Brasília

Desde junho de 2013 ventos diferentes sacodem o Brasil. Há muito a grande mídia e os partidos que governam nosso país tentaram colocar em nossas cabeças que o povo brasileiro era acomodado, que não lutava por seus direitos. Naquela ocasião, conseguimos romper com essa ideologia: milhares de protestos ocuparam as ruas e as praças das cidades reivindicando educação, saúde e transporte públicos de qualidade. A juventude foi protagonista nesse processo e junto com trabalhadores questionaram as prioridades do governo Dilma/PT, fazendo sua popularidade cair.

Depois de quase um ano dessas manifestações, os hospitais públicos continuam precários, os ônibus caros e lotados e a educação pública sofrendo com a falta de investimentos em sua estrutura física e pedagógica. Infelizmente, não é por falta de dinheiro que essa triste situação acontece.

Em 2007, a Copa do Mundo foi anunciada pelo então presidente Lula/PT com a promessa de que nenhum dinheiro público iria ser investido, apenas a iniciativa privada custearia o megaevento. Não é o que a realidade nos mostra. Até agora, os gastos públicos com estádios e obras ultrapassam os 20 bilhões de reais. Parte desse dinheiro poderia ser investido, por exemplo, na educação pública, construindo universidades e escolas, melhorando a estrutura das que já existem e valorizando os trabalhadores que a fazem funcionar. No sentido oposto das reivindicações justas das ruas, Dilma preferiu dar mais dinheiro pra quem já é rico ao invés de melhorar a vida dos jovens e trabalhadores que precisam desses serviços.

“É só por salário? Em defesa da educação pública!”
Diante desta situação, os servidores técnicos-administrativos das universidades federais entraram em greve para exigir do governo federal mais respeito com a educação pública no país. Algumas pessoas questionam o que ganhamos em apoiar esses trabalhadores. Se olharmos para as greves de 2011, 2012 e a atual, veremos que essas lutas não são apenas por aumentos salariais, essa greve em especial é uma greve política, contra os desmandos da copa, em defesa da universidade pública e da manutenção de sua qualidade de ensino, pesquisa e extensão.

Todo mundo sabe que entrar numa universidade federal é muito difícil, há uma competitividade muito grande pelo fato de haver poucas vagas. Em contraste a isso, vemos que hoje 90% das instituições de ensino superior no Brasil são privadas e o setor domina 74% das matrículas, além de receberem dinheiro do Governo Federal, através do PROUNI e do FIES. Esse dinheiro poderia ser investido na educação pública, mas, segundo os dados, houve uma diminuição de 38% do custo aluno de graduação nas Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Este resultado foi publicado em um documento do MEC no início de 2010 (Relatório Plurianual 2008-2011).

Toda essa combinação de fatores resulta na piora da qualidade do nosso ensino e das condições de trabalho dos professores e servidores. Por isso, nós, estudantes, devemos nos identificar com a luta em defesa da educação pública e estar lado a lado com esses trabalhadores.

“Por que e o que significa a greve em 2014?”
Na Universidade Federal do Paraná (UFPR), a greve dos técnico-administrativos começou, na prática, no dia 20 de março. Desde então, os trabalhadores estão sendo tratados com descasos pelo Governo Federal e pela Reitoria. Além disso, enfrentam uma série de ameaças, como o corte de ponto e assédio moral para retornarem aos postos de trabalho.

Muitos estudantes questionam a necessidade de se fazer greve, já que ela atrapalha a vida acadêmica, em geral, por paralisar bibliotecas, RUs, etc. e também porque haveria outras formas de luta.

Primeiro, cabe dizer que, historicamente, a greve é um instrumento legítimo de manifestação, que fora proibido pela ditadura militar e que, com muita luta, prisões e mortes, os trabalhadores conseguiram garantir esse direito. A greve é utilizada porque individualmente as chances de se conquistar vitórias e avanços nas condições de estudo e trabalho são muito poucas, quase nulas. Um movimento precisa ser coletivo e organizado para enfrentar um inimigo muito forte, que possui a seu favor a mídia, o controle do dinheiro e da gestão pública e as forças armadas. Os estudantes e trabalhadores não possuem nada, além da força de sua luta.

Aqui na UFPR, por exemplo, as vitórias expressivas que tivemos desde 2011 foram a custo de muito esforço, luta coletiva, greve e ocupações de reitoria. Conquistamos a conclusão do RU Botânico, a Casa Estudantil em Palotina, o aumento no valor e no número dos auxílios-estudantis e café-almoço-janta em todos os dias da semana.

“Quem não sabe contra quem luta, nunca poderá vencer…”
Infelizmente, há uma confusão sobre quem são os responsáveis por toda essa situação. Em todas as greves, como a dos garis do Rio de Janeiro e dos motoristas e cobradores de Curitiba, os governos de plantão sempre colocam a culpa nos trabalhadores, chamando-os de vagabundos e lunáticos. Aqui na UFPR não é diferente. A Reitoria e o Governo Federal tentam nos fazer acreditar que as bibliotecas e RUs fechados, por exemplo, são um “crime” dos trabalhadores para afetar a vida dos estudantes.

Mas não mencionam que nas últimas greves foram esses mesmos trabalhadores que estiveram ao nosso lado para aumentar os livros no acervo, para garantir a creche para as estudantes mães, para a construção de mais Rus, para ampliar os horários de atendimento nas bibliotecas, e um longo etc. Em 2014, a pauta de reivindicações dos servidores, se conquistadas, também nos trarão benefícios, como o abastecimento contínuo de materiais básicos de higiene em todos os banheiros, a manutenção completa dos prédios dos RUs, incluindo elétrica, hidráulica e equipamentos, construção de um novo RU Central, da creche, etc.

Por isso, o movimento estudantil não pode se vender para a reitoria e para o governo, como vem acontecendo com as direções do C7 e da UNE. É preciso explicar pacientemente os motivos pelos quais esses trabalhadores estão se mobilizando e apoiar essa luta que também é nossa.

Por isso, fazemos um chamado a toda a juventude de dentro e fora da UFPR: todos ao grande ato unificado de estudantes e servidores na próxima terça-feira dia 13 de maio às 11h30 no pátio da reitoria. Nesse ato iremos entregar as pautas de reivindicações estudantis e exigir da Reitoria da UFPR uma data para negociação.

É preciso aprender com as lições de junho e acreditar apenas nas forças de nossa luta. Os governos não nos dão nada de mão beijada. É preciso voltar às ruas defendendo o nosso direito ao futuro, dizendo em alto e bom som que antes, durante e depois da Copa, vai ter luta. A juventude do PSTU estará nos atos, marchas, ocupações, universidades e escolas para apoiar e ajudar a organizar nossa indignação em ação.

– Todxs ao ato unificado dia 13 de maio às 11h30 no pátio da reitoria. Queremos negociação já!

– Chega de dinheiro para a Copa do Mundo FIFA! Queremos 10% do PIB para educação pública já!

– É hora de voltar às ruas: antes, durante e depois da Copa vai ter luta!

Conheça o partido das lutas e do socialismo!