Artigo: Os modelos de entrega do petróleo do Brasil

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O decaimento da extração de petróleo tem sido provocado pelo próprio governo brasileiro

 

 

O decaimento da extração de petróleo das bacias tem sido provocado pelo próprio governo brasileiro, pois, como se vê no gráfico, a taxa média de extração de petróleo das bacias sedimentares do Norte-Nordeste do Brasil ainda está em ascensão. Isto tem acontecido para que o governo do Brasil possa atender interesses econômicos do imperialismo.
 
No fim do “milagre econômico” da ditadura militar, a fim de garantir os contratos de “riscos” para as multinacionais dos países imperialistas, houve uma queda de extração de petróleo de 17% nas bacias do Norte-Nordeste do Brasil. Nada foi encontrado pelas multinacionais que, por esse motivo, foram premiadas com altíssimas indenizações pelo “serviço prestado”.
 
Quem investiu e descobriu petróleo na bacia de Campos foi a Petrobrás, que fez subir a taxa de extração de petróleo em 69% até a chegada do governo Collor. Do Governo Collor até a chegada de FHC, a queda da extração foi de 11%. Naquele momento, o objetivo era quebrar o monopólio estatal do petróleo e iniciar a entrega do petróleo do Brasil, sob o regime de concessão.
 
A partir de 1995, ano da greve histórica dos petroleiros, até a chegada do governo Lula, a taxa de extração de petróleo das bacias do Norte-Nordeste cresce em 20%. Lula, ao assumir a Presidência da República, mantém tudo que foi estabelecido por FHC. Mantém o regime de concessão e realiza 5 leilões de campos de petróleo e gás. FHC já tinha realizado outros 5. O 8º leilão foi suspenso por um mandado judicial conseguido pela AEPET e patrocinado pelo falecido Dr. Luiz Antônio Castagna Maia.
 
A partir do governo Lula até o momento atual do governo Dilma, houve um decaimento da extração de petróleo nas bacias do Norte-Nordeste de 17%, entre 2004 e 2012. É quando no segundo mandato do governo Lula é implantado o regime de partilha do petróleo do pré-sal ultra profundo do Brasil.

Bacias petrolíferas maduras ainda não existem no Brasil

 

O Gráfico acima contém o histórico de extração de petróleo em Sergipe e Alagoas e mostra também os lances decisivos do jogo de xadrez geopolítico. Pode ser observado que sempre há decaimento da extração de petróleo quando o governo precisa justificar a nação a aprovação de projetos de interesse do imperialismo.

 
No seio do conjunto da Política de Desinvestimento da Petrobrás está a redução drástica do número de sondas de produção em Sergipe e Alagoas. É com tais sondas que é feita a limpeza dos poços de desenvolvimento dos campos de petróleo. Somente uma única destas sondas vai permanecer operando precariamente em Sergipe. Assim, o efeito é baixar ainda mais o volume da extração de petróleo na Bacia de Sergipe e Alagoas e jogar os trabalhadores na rua da amargura. De 2008 a 2012, a queda registrada foi de 17%. Igual queda foi confirmada na totalização da extração das bacias do Norte-Nordeste do Brasil.
 
O campo de petróleo de Carmópolis, único campo gigante da porção terrestre do Brasil, foi achado pela Petrobrás em agosto de 1963. No início de 1964, foi disparado o golpe militar para defender apenas interesses econômicos e comerciais do imperialismo, principalmente dos Estados Unidos da América. Descoberto o campo gigante de Carmópolis (1963), a partir de 1966 até 1970, a extração de petróleo cresce 993%, sai de 2.831 para 30.954 barris por dia, na Bacia de Sergipe e Alagoas.
 
No ano de 1970, o time da seleção de futebol do Brasil retornou do México como tri campeão mundial e a palavra de ordem da ditadura militar aqui era: “Brasil, ame-o ou deixe-o”. Escondidos desta eufórica alegria nacional, milhares de trabalhadores estavam sendo assassinados e torturados pela ditadura militar instalada no Brasil, em seus porões. O presidente ditador era Emilio Garrastazu Médici (1969/1974). Nesta época e durante todo o período do regime repressor quem escolhia o presidente ditador do Brasil eram os generais da ditatura militar.
 
Mesmo depois do fim do “milagre econômico” (1968/1973), a extração de petróleo em Sergipe e Alagoas continuou crescendo até 1977, atingindo o patamar de 53,4 mil barris por dia. O novo presidente ditador era o general Geisel (1974/1979), criador dos contratos de “riscos” com as multinacionais petrolíferas dos países imperialistas. Elas nada investiram; logo, nada encontraram. Por isso, foram indenizadas. Deixando o prejuízo para o povo brasileiro. Quem descobriu a bacia de Campos foi a Petrobras. Entre 1977 e 1987, a queda da extração de petróleo em Sergipe e Alagoas foi de 11%.
 
Em 1986, a extração de petróleo em Sergipe e Alagoas chegou ao volume de 65,7 mil barris por dia. É a partir do governo Sarney (1985/1990), forte aliado da ditadura militar, quando, de fato, inicia a preparação da entrega do petróleo do Brasil.
 
Comparando o histórico de extração de petróleo em Sergipe e Alagoas com o da totalização das bacias do Norte-Nordeste, constatamos quão influente é a extração da bacia de Sergipe e Alagoas (UO-SEAL).
 

Neste momento, o que está à vista é a expectativa do governo Dilma reduzir ao extremo a extração de petróleo em Sergipe e Alagoas. E, consequentemente, a do conjunto das bacias do Norte-Nordeste, a fim de propagandear que essas bacias estão maduras e que, por isso, devem ser privatizadas. Na verdade, todas essas bacias ainda não alcançaram seus picos de petróleo; ou seja, há muito petróleo ainda para ser extraído.

 
A partir do governo Sarney até a quebra do monopólio estatal do petróleo, a queda na extração de petróleo em Sergipe e Alagoas foi de 35%. Certamente que seja este degrau que o governo Dilma pretenda atingir para entregar também o campo gigante de Carmópolis e outros campos do Norte-Nordeste do Brasil para as multinacionais dos países imperialistas.
 
Era dos gigantes do Brasil
 
A partir de meados de 2004, a extração total de petróleo do mundo deixou de se expandir. A curva definida pela extração mundial de petróleo diariamente tem permanecido relativamente plana desde meados de 2004 (Gráfico 1).
 

Uma análise recente da Cambridge-Energy Research Associates (CERA) estima que o declínio ponderado de extração de todos os campos de petróleo existentes no mundo foi de aproximadamente 4,5% em 2006 (CERA, 2007). A taxa de declínio da CERA está em concordância com o intervalo entre 4 a 6% ao ano, calculado pela ExxonMobil em 2004.

 
Já a Agência Internacional de Energia (AIE) chegou à conclusão de que a taxa média ponderada de declínio da extração mundial foi de 6,7% ao ano para os campos pós-pico (AIE, 2008). Isso significa que a taxa de declínio global seria menor, uma vez que muitas áreas petrolíferas não estão ainda em declínio como, por exemplo, o Brasil.
 

A contribuição mais significativa para a extração total de petróleo no mundo é dada pelos campos gigantes. Os campos gigantes cadastrados no mundo até agora representam apenas 1% de todos os campos descobertos no mundo, e respondem por quase 2/3 da extração mundial de petróleo.

 
É a partir de 2007 que o Brasil entra na Era dos achados dos campos gigantes de petróleo no pós e pré-sal ultra-profundo. O Brasil é o único país do mundo em que a curva do sino (curva que mostra a extração diária de petróleo) ainda está em ascensão. No entanto, antes mesmo da confirmação destes gigantes, FHC (PSDB) já havia leiloado (privatizado), sob o regime de concessão, 29% do pré-sal ultra profundo.
 
Por outro lado, o Brasil ainda não pode ser considerado auto suficiente em petróleo. O Brasil já é o sétimo maior consumidor mundial de petróleo. Gasta diariamente 2,653 milhões de barris. E já tem capacidade comprovada de extração de 2,772 milhões de barris de petróleo por dia. Mas, o máximo extraído até agora pela Petrobras foi 2,019 milhões de barris por dia, em 2011, caindo para 1,977 milhão de barris por dia em 2012.
 
No segundo mandato do governo Lula (PT) é implantado o regime de partilha do petróleo do pré-sal ultra profundo do Brasil. É sob o regime de partilha que Dilma (PT) quer leiloar (privatizar) os 71% do pré sal ultra profundo, já mapeado, ainda este ano, incluindo os campos terrestres das bacias do NNE do Brasil que a ANP teima em chamá-las de maduras, sob o regime de concessão.
 
Dilma, leilão é privatização. O petróleo tem que ser nosso. Queremos a Petrobras 100% Estatal e sob o controle dos trabalhadores.