Argentina | FIT: Não ao “veto” a lutadores operários e antiburocráticos

O PTS, partido integrante da FIT (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores) vetou arbitrariamente a indicação de dois companheiros operários do PSTU. Leia abaixo a carta divulgada pelo PSTU, seção da LIT-QI no país:

Carta aberta aos partidos que integram a FIT

O recente anúncio de que a FIT (Frente de Esquerda e dos Trabalhadores) concorrerá às PASO (eleições primárias internas) com uma lista unitária significou um avanço importante. O PSTU afirmou reiteradas vezes que considerávamos equivocado utilizar o mecanismo antidemocrático das internas para definir candidaturas entre organizações de esquerda. Uma parte da FIT fazer campanha contra outra debilitava a luta pelo programa e contra os candidatos patronais.

Pelas declarações públicas dos partidos que constituem a FIT, sabemos que fizeram um acordo sobre as principais candidaturas que encabeçarão as listas, e depois disso será definido o resto. O PSTU expressou publicamente, e para as forças da FIT em particular, nossa disposição em integrar novamente as listas, colocando nossos candidatos, principalmente dirigentes operários. Independentemente das diferenças que possamos ter com a ação da FIT ou de algum de seus partidos (as quais inclusive ocorrem entre os próprios integrantes da frente) e sem deixá-las de lado, continuamos considerando que é a melhor ferramenta atualmente para dar a batalha eleitoral contra os candidatos dos partidos patronais.

“Veto” a dirigentes operários antiburocráticos?
Lamentavelmente, no mesmo dia em que era anunciada uma lista unitária em nível nacional, ocorreu um fato gravíssimo na definição das listas de candidatos locais em Rosário: uma das organizações da FIT, o PTS, exerceu uma espécie de “direito a veto”, banindo das listas dois dos principais dirigentes de uma das lutas mais importantes dos últimos tempos no país, e sem dúvida a maior da cidade, que foi o enfrentamento contra a multinacional patronal ianque da General Motors e seus cúmplices da burocracia do SMATA (sindicato do setor). Lamentavelmente, esta proibição teve o consentimento das outras organizações da frente, a IS e o PO.

A luta da GM foi, junto com AGR, petroleiros da Patagônia e outros, um dos focos de resistência ao ajuste do governo Macri e das patronais. Nessa luta, mais de 350 trabalhadores suspensos, junto aos mais de 2.000 companheiros da fábrica, realizaram assembleias massivas como nunca havia acontecido antes, pararam a produção como não acontecia há mais de uma década, realizaram bloqueios e piquetes em coordenação com outros setores em luta, recebendo o apoio e a solidariedade da população. Toda essa luta enfrentou a cumplicidade patronal da burocracia do SMATA, o que se expressou no fato de que, do corpo de delegados de 22 membros, apenas um recusou o acordo que implicava 350 demissões secretas e se pôs à frente das assembleias massivas e da luta junto ao comitê de greve que se formou. O esforço e a vontade de lutar não chegaram a torcer o braço da patronal, mas, como dizem os companheiros, lá dentro “nada mais será igual”.

Germán Tonero foi o delegado “rebelde” que se colocou à frente da luta junto aos suspensos. Sebastián Romero foi uma das principais referências do comitê de luta. Ambos os companheiros são reconhecidos por sua militância de esquerda, em particular no PSTU, e por terem sido candidatos da FIT em várias oportunidades. Esta localização fez com que inclusive a IS e o PO os propusessem como candidatos da FIT novamente. São esses lutadores operários que o PTS está banindo das listas, com o aval dos demais integrantes da FIT.

Os supostos argumentos do PTS – dizemos supostos porque não foram expressos publicamente – são: que o PTS não concordava com a forma com que os trabalhadores levaram adiante a luta e que seus supostos contatos dentro da fábrica não aceitam as candidaturas de Tonero e Romero.

O primeiro argumento é digno de uma corrente burocrática, pelo qual o PTS só aceitaria algum tipo de unidade de ação (neste caso, meramente eleitoral) com aqueles que concordem cem por cento com toda a linha do próprio PTS. Se isto fosse sustentado seriamente, então o que proporiam com dirigentes operários de outras lutas às quais apresentaram críticas públicas? Proporiam banir os companheiros da AGR ou o “Pollo” Sobrero?

O segundo argumento, sobre o que opinam os trabalhadores da GM, pode ser resolvido muito facilmente: propomos convocar uma assembleia do conjunto dos trabalhadores da GM Rosario, ou qualquer tipo de consulta que permita que a base da fábrica se expresse, e aí propor os candidatos e que a assembleia operária decida.

Chamamos os partidos que integram a FIT a rever com urgência esta atitude
O PSTU chama os companheiros do PTS a rever esta atitude e os companheiros da IS e do PO a se pronunciarem claramente e atuarem consequentemente. Nosso partido se integrou com nossas modestas forças aos espaços que vocês cederam, considerando-os pertinentes ou não ao grau de representatividade. Nossas campanhas eleitorais estiveram e estarão a serviço de denunciar os planos patronais e imperialistas de ataque aos trabalhadores e de propor um programa e uma saída operária, e nesse contexto disputar o voto para a FIT para que não vá para variantes patronais. Nossa definição de optar por integrar as listas da FIT e não de outras frentes de esquerda ou de centro-esquerda é porque consideramos que é a melhor ferramenta eleitoral de independência de classe que existe hoje para se opor às variantes patronais.

Mas, nesse contexto, consideramos inadmissíveis proibições a candidaturas desse tipo, não apenas contra nossos companheiros, mas contra qualquer lutador honesto. Se isso for permitido, acreditamos que se estabelecerá um precedente gravíssimo, até agora inédito entre os que se proclamam de esquerda e revolucionários.

Ainda estamos a tempo de corrigir este enorme erro. As listas distritais em Rosario estão fechadas, mas é possível colocar os companheiros que são referência da principal luta na província de Santa Fe nas listas de candidatos nacionais pela província, na localização que vocês decidam.

O PSTU pede novamente uma reunião com vocês para resolver este ponto e, assim, discutir nossa integração, como nas eleições passadas, no conjunto das listas da FIT, para colocar à disposição nossos melhores representantes onde haja acordo.

Comitê Executivo do PSTU

Tradução: Mandi Coelho