Após forte repressão, Senado aprova PEC 55 em primeiro turno

10381
Foto Agência Brasil

Na noite deste 29 de novembro, por 61 votos a 14, o Senado aprovou em primeiro turno a PEC 55 (Proposta de Emenda Constitucional), a chamada “PEC do teto”, que prevê o congelamento dos gastos públicos por 20 anos e que, caso seja definitivamente aprovada, deve retirar bilhões da Saúde, Educação e outras áreas sociais nos próximos anos. É a antessala da reforma da Previdência.

Poucas horas antes dos senadores votarem essa medida exigida pelos banqueiros, do lado de fora, uma manifestação que reuniu mais de 20 mil pessoas, encabeçada pelas centrais como a CSP-Conlutas, além das entidades ligadas à Educação como o Andes (docentes das universidades públicas), Sinasefe (técnicos federais) e Fasubra (técnicos-administrativos das universidades públicas), além de metalúrgicos, professores e várias outras categorias, era brutalmente reprimida pela polícia.

Estávamos em milhares nas ruas em Brasília, contra a PEC, as reformas, e pela derrubada do Temer e jogaram bomba em cima dos manifestantes“, relatou Mandi Coelho, da ANEL e da Juventude do PSTU. “Vamos deixar um recado para esse governo: não vamos aceitar nenhuma forma de repressão! A gente vai continuar com a luta contra a reforma do Ensino Médio, a Escola Sem Partido, a PEC 55, e todos os ataques contra os estudantes, a juventude e as mulheres e trabalhadores“, disse.

A repressão se estendeu por horas a fio e transformou a Esplanada dos Ministérios numa verdadeira praça de guerra. O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) chegou a suspender a votação, mas a retomou pouco depois. Nem o luto que o país vive com a tragédia do acidente com a Chapecoense sensibilizou os senadores. A prioridade era mostrar aos banqueiros que a prioridade desse Congresso é atender seus interesses.

Agora é importante e urgente ir para o chão da fábrica e organizar uma Greve Geral“, afirma o operário da Construção Civil, Atnágoras Lopes, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

img_ato2

Greve Geral
Novembro foi um mês de lutas, com mobilizações e paralisações por todo o país, cujo ponto alto ocorreu no último dia 25. Demonstrou a disposição de luta da classe trabalhadora e da juventude e a possibilidade de uma Greve Geral que pare esse país contra os ataques do Governo Temer. As direções das principais centrais sindicais, porém, além de não convocarem uma greve, aceitam sentar na mesa com Temer para negociar direitos, como a Previdência pública. No dia 5 de dezembro está marcada uma reunião entre as centrais e Temer para discutir a proposta de reforma que pretende atacar as aposentadorias dos trabalhadores brasileiros.

Direitos não se negociam. É preciso pressionar as direções das centrais para que abandonem a mesa de negociações e construam, desde abaixo, uma Greve Geral.