Após cinco dias de greve, mobilização petroleira ganha o país e afeta produção

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    Terminal Pilões, em Cubatão

    Com direito a produção afetada, apesar de todas as práticas antissindicais dos gestores da Petrobrás contra o legítimo direito de greve da categoria, petroleiros das bases da FNP seguem firmes na luta contra a venda de ativos e por um ACT (Acordo Coletivo de Trabalho) digno após cinco dias de greve.

    As mobilizações, iniciadas na última quinta-feira (29) a partir dos cinco sindicatos da FNP, ganham corpo a cada dia com o início da greve nas bases da FUP desde o último domingo. A necessária greve nacional da categoria, pela qual tanto lutamos, se transforma cada vez mais em uma realidade que nos permite dizer que esta já é uma das maiores greves da história da categoria petroleira.

    Confira abaixo o quadro de mobilizações nesta segunda-feira (2), quinto dia de greve nas bases da FNP e segundo dia de greve nas bases da FUP.

    Bases da FNP
    Desde o início da greve, todas as unidades do Litoral Paulista seguem em greve com 100% de adesão nos grupos de turno durante todo este fim de semana e feriado. Ou seja, segue a greve nas plataformas de Merluza e Mexilhão, nos terminais Transpetro (Pilões, Alemoa, Tebar), RPBC, UTE Euzébio Rocha e UTGCA.

    Na RPBC, mesmo com todas as manobras da companhia, que vem desrespeitando decisão judicial, o Sindicato vem conseguindo iniciar a retirada dos trabalhadores confinados desde quarta-feira (28), quando às 23 horas houve corte de rendição. Na UTGCA, em Caraguatatuba, a produção do pré-sal já está sendo afetada, com o escoamento do gás natural sendo prejudicado em virtude do movimento. Ao contrário do que afirma a companhia, não há bloqueio dos caminhões que transportam C5+ e GLP, mas sim o convencimento dos caminhoneiros da justa luta dos petroleiros em greve.

    A empresa chegou a tentar emplacar um interdito probatório para a unidade, mas teve a ação indeferida, com o desembargador indicando que a Petrobrás negocie com o Sindicato. Essa decisão apenas reforça uma realidade que a empresa tenta omitir: quem não quer negociar e assume postura intransigente é ela, não os trabalhadores.

    Na base do Sindipetro-PA/AM/MA/AP, a greve com na Província Petrolífera de Urucu segue sendo conduzida com controle de produção pelos trabalhadores, o que vem diminuindo dia a dia a produção da unidade. Segundo o sindicato, a planta será entregue zerada na próxima quarta-feira (4) à companhia. A unidade está sob o controle dos trabalhadores desde o dia 24.

    Terminal Aquaviário de Coari (TA–Coari), que fica próximo ao Rio Solimões, greve com ocupação desde sexta-feira (30). A chefia isolou a comunicação via telefone da unidade para impedir contato da categoria com o Sindicato para retomar, na marra, o controle da unidade. Mas não conseguiu, com a categoria resistindo à pressão e diminuindo a produção de gás do terminal.

    Todas as ações da categoria estão sendo feitas levando em consideração a segurança e habitabilidade das unidades. Nos prédios administrativos de Manaus, Belém e Porto dos Encontros das Águas a greve será retomada, com a realização novamente dos tradicionais trancaços.

    Na Transpetro Belém segue firme a greve, com corte de rendição nos turnos e adesão de 100% dos trabalhadores. Na Transpetro São Luis (MA), após greve de 24 horas, os trabalhadores vêm atrasando a liberação dos navios em até 12 horas, mesmo diante de muita pressão da chefia.

    Na Fafen-SE, base do Sindipetro AL/SE, desde as 5 horas de ontem (1), todas as turmas de turno têm aderido a greve. Após 25 horas de paralisação, a fábrica já dá sinais de redução da produção. Os trabalhadores da Sede da Petrobrás em Aracaju, do Tecarmo (Polo Atalaia) e do Campo Terrestre de Carmópolis também aderiram a greve desde a quinta-feira, 29/10. Nesta terça, 02/11, os trabalhadores reavaliam em assembleia a continuidade do movimento.

    Em São José dos Campos, os dois turnos desta segunda-feira (2), das 7 e 15 horas, decidiram pela manutenção da greve com o corte de rendição.

    No Rio de Janeiro, uma decisão histórica da categoria no Centro Nacional de Controle Operacional (CNCO). Em assembleia na manhã desta segunda-feira, os trabalhadores cortaram a rendição do primeiro turno. Haverá cortes de 16 horas, com cada grupo permanecendo 16 horas na unidade. O CNCO nunca havia se incorporado a uma greve da categoria em nível nacional. No TABG, após negociação com a gerência sobre contingência, a unidade está com operação parcial. Categoria decide amanhã em assembleia se negocia contigência ou segue com os cortes de rendição.

    Bases da FUP
    Na Bacia de Campos, o segundo dia da greve começou com um quadro atingido durante a madrugada, com a adesão de 35 plataformas. Destas, 22 estão completamente paradas, oito estão com poços restringidos (com reduções na produção que variam de 20% a 97%) e cinco foram passadas para as equipes de “pelegos” (contingência formada pela Petrobrás). No Terminal de Cabiúnas (Tecab), em Macaé, o grupo A ocupou a base, seguindo o indicativo do Sindipetro-NF.

    Na Refinaria Duque de Caxias (REDUC), a greve continua forte com corte de rendição também na Termoelétrica Governador Leonel Brizola. No Terminal Campos Elíseos (Tecam), a greve começa às 0h desta terça-feira, 03. Na Bahia, hoje não houve a troca de turno pela manhã na RLAM, que só tem uma turma e meia trabalhando. Na Lubnor, maior base do Ceará, houve corte de rendição hoje às 7h. Para a próxima troca do turno, às 15h, os trabalhadores decidiram que ninguém entrará na unidade.

    Na Reman, em Manaus (AM), houve corte de rendição. A greve foi iniciada ontem às 15h na Reman e nos Terminais de Coari e Solimões. Hoje, às 7h, os trabalhadores também aderiram à paralisação das atividades. Os petroleiros que iniciaram ao turno ontem, às 7h, antes da deflagração do movimento grevista, ainda se encontram nas unidades, no entanto, já estão se preparando para entregar a operação à equipe de contingência enviada pela Petrobrás.

    A greve foi ampliada no Rio Grande do Norte pelos trabalhadores das plataformas marítimas. Nas unidades do Pólo de Guamaré, como a RPCC, a refinaria do estado, assim como a unidade de Transferência da Transpetro, continuam com a rendição cortada pelos petroleiros.

    Em Pernambuco, os trabalhadores do Terminal da Transpetro em Suape e da Refinaria Abreu e Lima continuam cortando a rendição dos turnos. No Unificado de SP (Recap e Replan), hoje pela manhã, houve novo corte, ou seja, a greve está com 100% de adesão nas refinarias. Nos terminais da Transpetro nos estados de São Paulo, a greve será deflagrada nesta terça-feira, dia 3.

    Nas unidades operacionais de Minas Gerais o corte de rendição começou ontem, às 23h, 30, na Refinaria Gabriel Passos (Regap) e na Termoelétrica Aureliano Chaves. Hoje, às 7h, os trabalhadores também aderiram à greve.

    Em Vitória, Espírito Santo, a operação do Terminal Aquaviário está paralisada. Os trabalhadores aderiram à greve e não há contingência da empresa. No Terminal de Barra do Riacho, em Aracruz, foi suspenso o recebimento de gás da UTGC – Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas, em Linhares e, o navio, que está atracado no TABR não será operado. Já a P-58 está com 50% da produção reduzida.

    Na Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados do Paraná (Fafen – PR), a greve começou às 23h de ontem e permanece firme até o momento. A produção da unidade está paralisada por não haver equipe de contingência da empresa. Na Repar e na Usina do Xisto (SIX) houve corte de rendição ontem, às 23h30, no entanto, há uma equipe de contingência da Petrobrás tentando furar a greve. Nas unidades da Transpetro no Paraná e Santa Catarina a greve será iniciada amanhã. No Rio de Grande do Sul, houve novo corte de rendição na Refinaria Alberto Pasqualini (Refap), no Terminal de Rio Grande e na Termoelétrica Sepé Tiaraju.

    Com informações da FUP

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