Após a greve, ativistas da saúde se filiam ao PSTU em Natal

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A forte intervenção do PSTU durante a greve da saúde aproximou muitos ativistas ao partido

Partido faz filiação pública durante debate de lançamento da Correio Internacional

No dia 11 de setembro, o PSTU promoveu o debate “Porque o Brasil explodiu”, marcando o lançamento da revista Correio Internacional. A mesa foi formada pela vereadora Amanda Gurgel, pelo presidente estadual do partido, Dário Barbosa, e por Nazareno Godeiro, do Ilaese, que fez a palestra sobre as jornadas de junho, a relação com a economia brasileira e os 10 anos de governos petistas. O debate reuniu dezenas de ativistas, entre estudantes, professores, petroleiros e os servidores da saúde, que fizeram uma greve de 34 dias no estado, suspensa no dia 3.
 
Ao final, foi realizado um ato de filiação de alguns dos principais ativistas da greve da saúde. O PSTU teve forte atuação durante a greve. Durante os 34 dias, seus militantes e o mandato participaram ativamente das atividades, ajudando nos piquetes e passeatas, recolhendo assinaturas em apoio ao projeto do Passe Livre e mantendo a ocupação. Neste período, o jornal Opinião Socialista e o partido foram apresentados a diversos servidores, muitos agora filiados ou militantes do partido.
 
Ao todo, 10 servidores se filiaram ao partido durante a greve. Muitos estavam no debate e subiram ao palco, recebendo as boas-vindas dos militantes do partido. “Esse momento é muito importante. Militamos juntos com vocês no movimento sindical, e estamos juntos nas lutas. A filiação é um passo adiante que vocês estão dando, e muito importante para o nosso partido”, afirmou Simone Dutra, presidenta do PSTU em Natal e coordenadora-geral do Sindsaúde. 
 
Entre os ativistas que se filiaram, a maior parte integrou os comandos de greve nos hospitais, que conduziram o movimento contra o governo Rosalba na base, e a ocupação em frente à residência da governadora Rosalba, como Nabucodonosor e Sonia Suely, funcionária do Walfredo Gurgel. “Eu passei 48 anos da minha vida pacificamente. E agora eu me vi acampada vários dias na casa da governadora. Gente, na minha juventude eu não fiz isso, mas nos meus 48 anos eu tive que fazer, porque se fez necessário. Eu estava lá junto com essa juventude aguerrida, que está levantando as bandeiras e indo à rua pra mudar esse país”, contou Sonia, apontando para os militantes da ANEL que estavam no plenário e que participaram da ocupação.
 
Nogueira, também do Walfredo Gurgel, contou o longo caminho que fez até o PSTU. “Eu sempre fui ativista, desde 1988. Me decepcionei muito com o PT e passei muito tempo sem querer saber de partido nenhum. Depois, com as greves, no dia a dia, a gente foi construindo a luta e até que enfim Rosália conseguiu me trazer para o PSTU. E eu acho que o caminho é esse mesmo. Nós precisamos estar organizados para mudar não só os governos mas o sistema que está aí.”
 
Um a um, todos foram sendo chamados à frente do auditório. Com todos no palco, Rosália Fernandes deu as boas vindas aos filiados. “Nós do partido estamos extremamente orgulhosos e felizes com a vinda destes companheiros e companheiras. É algo extremamente gratificante”, afirmou, sem esconder a emoção diante dos filiados.
 
A filiação de Rejane, que esteve no encontro nacional LGBT da CSP-Conlutas, e Josimar Henrique tiveram um sentido especial, porque mostra que a luta contra os governos não pode ser separada do combate ao preconceito e à homofobia. “Eu tenho um motivo a mais para comemorar hoje, porque além de estar me filiando, estou fazendo isso ao lado do meu companheiro”. Em seguida abraçou Erasmo Neto, também técnico de enfermagem.
 
Entre os filiados, estavam ainda diretores do sindicato, como Célia Dantas e Paulo Martins. Além da atuação na Saúde de Natal, Célia tem participado da construção do Movimento Mulheres em Luta no estado, que terá seu primeiro encontro regional no dia 21. “Eu nunca fui filiada a um partido. Mas participando dos movimentos eu vi a necessidade de fazer parte de um partido. E o partido que eu vi que tem a coragem para fazer denúncia e enfrentamento aos governos é o PSTU. Um partido que não se vende, que não recebe dinheiro de empresas e por isso tem a independência para poder fazer esses enfrentamentos. Por isso estou me filiando ao PSTU, com muito orgulho”, frisou.
 
A filiação de Paulo foi um reencontro. Ex-militante, Paulo deixou o partido há alguns anos, em meio a uma divisão do PSTU no Rio Grande do Norte, marcado pelo debate sobre a burocratização nos sindicatos. Paulo acompanhou outros militantes, sem concordar com o combate contra a burocratização que era feito no momento. Hoje se filia novamente. “Quando você sai e depois quer voltar para algum local, algum grupo, das duas uma: ou você tem coragem pra voltar e dizer abertamente que errou ou segue, com a cabeça fechada. Tem algumas coisas que a gente tem que dar o braço a torcer e dizer: eu errei. Houve um erro de nossa parte, de avaliação, e agora nós estamos voltando, com muito orgulho, com muito prazer, com tranquilidade”, afirmou, para aplausos de todos e um abraço apertado das companheiras.