28 de abril: Comitês de luta contra as reformas param a Zona Sul de São Paulo

Na última sexta-feira, 28 de abril, o Brasil inteiro paralisou na Greve Geral contra as reformas de Temer e desse Congresso cheio de picaretas. Apesar da cortina de mentiras que a imprensa burguesa tentou fazer para isolar a data, a população se envolveu e apoiou a greve. O mesmo sentimento encontrado no dia 15 de março que teve paralisação nacional. Não é à toa que na enquete relâmpago da Veja, mais de 90% sinalizaram serem favoráveis à greve em defesa da aposentadoria e dos direitos trabalhistas.

Sem dúvida foi a maior greve desde 1989 em São Paulo, e uma das maiores desde 1917, conseguindo a adesão de trabalhadores de diversas áreas (educação, transporte, segurança, saúde, etc). Um dia que paralisou, segundo a CUT e a Força Sindical, entre 35 a 40 milhões de pessoas, mais que as Jornadas de Junho de 2013 (cerca de 2 milhões e meio). O dia 28 de abril de 2017 ficará para a história.

Comitês de luta contra as reformas

Marcha unificada dos comitês na Zona Sul Foto Romerito Pontes

O destaque nesse dia foi a participação dos comitês de lutas, que desde o início mostraram a necessidade de organizar os trabalhadores e a juventude pobre contra os ataques de Temer (PMDB). Comitês construídos por partidos de esquerda, sindicatos, movimentos populares, sociais, de mulheres, LGBTT’s, negros e negras, estudantil, anarquistas, ativistas independentes, entre outros. Edificados com a perspectiva da urgência em organizar os setores mais pobres e oprimidos de nossa sociedade contra os de cima, aqueles que além de acumular o fruto de nosso trabalho também mandam a polícia nos reprimir.

Por todo o país, foram construídos comitês nos bairros mais pobres das cidades. E na Zona Sul não foi diferente. Quatro comitês (Grajaú, Cocaia, MBoi e Capão Redondo) foram criados. Espaços amplamente democráticos, onde os trabalhadores propõem iniciativas. Do ponto de vista de organização, um saldo positivo ver nos quatro cantos da Zona Sul espaços de debate e resistência começarem a ter vida orgânica, aproximando-se de comitês populares.

Os atos que ocorreram na região no dia 28 foram deliberados pelos comitês de lutas, onde foi tirada a importância de unificar os comitês na histórica Ponte do Socorro – Operário Santo Dias. Para quem não se familiariza, Santo Dias foi um dirigente negro operário que organizou diversos trabalhadores nas fábricas para lutarem contra a ditadura militar, até seu assassinato em 1979.

Diversos Comitês saíram de pontos estratégicos da região sul. O Comitê da M Boi se organizou no Largo do Piraporinha (mesmo local que saiu a Marcha da Periferia de 2013), paralisando a Estrada do M Boi Mirim. A Ocupação Jardim União, junto com povos indígenas, através do Comitê do Grajaú, realizaram uma marcha desde o dia anterior, caminhando da ocupação até a fábrica Chris Cintos, onde se juntaram com o Comitê do Capão em um dos momentos mais emocionantes do ato ao ver a juventude do outro extremo da Zona Sul em direção ao movimento popular defendendo a aliança operária-popular-estudantil.

Piquete na fábrica Chris Cintos

Todos os comitês marcharam juntos para a Ponte do Socorro, fechando a Avenida Atlântida e a M Boi Mirim. No encontro, apesar da tentativa da PM em dividir o ato em dois na ponte, por conta do apoio popular expressivo foi possível unificar todos os comitês, juntando mais de 5 mil trabalhadores e estudantes. Após a unificação dos comitês, a Marginal foi ocupada quase todas as faixas.

Só com unidade da classe poderemos derrubar as reformas
Um dia vitorioso, apesar de uma política equivocada e sectária dos companheiros do MTST e MAIS em rachar o ato por ter desacordo em realizar uma marcha junto com o PSTU e demais setores da juventude e movimentos populares e operários.

Já na Marginal, os companheiros fizeram um cordão de isolamento humano entre a parte da frente (que havia a Ocupação Jardim União, PSTU, Comitês do Capão e Grajaú, Sindicatos dos Metalúrgicos, CSP Conlutas, ANEL, Luta Popular) com a parte de trás onde eles estavam, impedindo que demais trabalhadores se somassem ao ato. Mesmo com o carro de som chamando publicamente os companheiros, mesmo a organização de diversos comitês colocando a importância dessas duas organizações estarem num ato unitário contra as reformas de Temer, os companheiros decidiram de forma irresponsável romper com o ato e encerrar suas atividades ali mesmo, alegando que “não dá para se somar”.

Uma declaração estranha a quem defende a unidade. Mesmo assim, em nome da unidade contra Temer e suas reformas, e apesar de determinados setores se oporem à consigna “Fora Temer” por acreditarem que ela atrapalhará seus sonhos em disputar as eleições em 2018, paralisamos o ato por acreditarmos que a derrota às reformas é uma necessidade da classe trabalhadora. Não é possível que organizações sérias e importantes para a classe trabalhadora se comportem, de forma equivocada, como policiais do movimento.

Acreditamos que essa política enfraquece o movimento. No atual momento, de grandes ataques vindos da burguesia, rachar um ato que estava participando porque não quer ficar ao lado de determinada organização, além de infantil, é uma atitude irresponsável, sectária, que só fortalecerá a direita. Pedimos de forma fraternal aos companheiros do MTST e do MAIS reverem essa política. Nem a polícia conseguiu separar os comitês, nem as mentiras da burguesia conseguiram fragmentar o ato unitário, isso só foi possível com a infeliz política sectária e rupturista dos companheiros, que em um ato que chamava “Fora Temer e todas as suas Reformas”, preferiram em um dos momentos mais importantes dele, na ocupação da Marginal, romper e se dissolver.

Camaradas, revejam essa política e venham juntos com a gente construir comitês operários e populares nos bairros, pois só com unidade de nossa classe derrubaremos as Reformas.

Próximos passos: rumo à Construção da Greve Geral de 48 horas!
Após a vitória que foi o dia 28 de abril, temos que dar continuidade na construção de comitês e na sua consolidação. É importante que esses comitês sejam espaços democráticos, onde os trabalhadores debatam, se organizem, comecem a realizar experiências de duplo poder. Se é verdade que uma greve mostra a todos quem realmente produz a riqueza, é também verdade que aos trabalhadores e a juventude cabe o direito a dirigir o futuro.

Temos muito a construir, mas o fôlego da classe trabalhadora depositado no apoio ao dia 28 nos dá mais força para construir uma Greve Geral de 48 horas, que do alfinete ao avião pare todo o país!