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O tema da subjetividade tem sido constantemente
trazido à tona por nós, marxistas, quase como uma efígie que busca ser
decifrada, impondo uma reflexão necessária sobre a suposta dicotomia indivíduo
versus sociedade. Como corações e mentes têm sido literalmente
"comprados" por uma "sociedade de consumo", afastando a solidariedade
de classe? Os constantes ataques à organização sindical e aos direitos
trabalhistas produzem, afinal, que qualidade de reflexos subjetivos? Temos
uma leitura clara e lúcida a respeito das implicações - para a subjetividade
humana - frente à intensidade das reestruturações técnico-científicas
recentemente impostas pela Ordem do Capital?
Marx e Engels lembravam que nossa relação com a natureza é uma relação
de produção para a satisfação de necessidades, "sejam elas do estômago
ou da fantasia". Lenin, por sua vez, que há componentes materiais
e ideológicos na organização dos trabalhadores para suas lutas. E Trotsky,
que o processo de direção de um movimento revolucionário depende essencialmente
- no presente momento histórico - de questões inerentemente subjetivas.
Por outro lado, uma obra como o best-seller "Inteligência Emocional",
de David Goleman, já ultrapassa a cifra de 40 milhões de livros vendidos - em
base à dicotomização da totalidade do psiquismo humano -, sugerindo a existência
de uma mente 'racional' e outra 'emocional'. Proliferam noções como a "pedagogia
do afeto" que, invertendo a ordem de causalidade, sugerem que a manipulação
da afetividade do estudante facilita processos de aprendizagem. O desserviço
prestado, por sua vez, por concepções pós-modernas / neoliberais, que defendem
que a única realidade é aquela vivida no âmbito do indivíduo - hipertrofiando
em absoluto a dimensão subjetiva -, impõem maiores confusões a este respeito.
Sabemos que há inúmeros estudantes, pesquisadores e trabalhadores que têm se
voltado para estas questões, e que também padecem do isolamento imposto pela
negação do establishment político e acadêmico, em tempos de pós-modernidade
e social-liberalismo. Neste especial Subjetividade e Marxismo propomos
a abertura de um debate franco com todos/as aqueles/as preocupados com a temática
da subjetividade - para além do idealismo psicanalítico e do mecanicismo
behaviorista - no âmbito do marxismo. Para tanto nos propomos
a apresentar, brevemente, a contribuição teórica da psicologia de Vigotski à
luta pelo socialismo. Neste sentido preparamos (exclusivamente) uma nova tradução,
inédita, de um texto do autor - A Transformação Socialista do Homem,
Moscou, 1930/2006 -, que acreditamos constituir-se como uma síntese significativa
do sentido geral de sua obra e, ainda, particularmente oportuno para o objetivo
central deste Especial: socializar, desenvolver e aprofundar a interlocução
teórica sobre a subjetividade, em perspectiva marxista. Como diz o Manifesto
dos Educadores Marxistas ("Carta de Bauru", 2005) - aprovado em plenária,
ao final do I Encontro Brasileiro de Educação e Marxismo (I EBEM) - reafirmamos
a necessidade "de uma nova forma de sociabilidade capaz de promover o pleno
desenvolvimento de homens e mulheres [a sociedade comunista], ao invés de meros
escravos das necessidades".
MARCELO DALLA VECCHIA e JULIANA PASQUALINI, membros do NEPPEM-Bauru
e ROBERTO BARROS, da redação do Portal do PSTU.
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