Democracia no acampamento

Na hora do almoço, um grupo de sem-terra se reuniu diante da porteira da fazenda para fazer uma assembléia e discutir como enfrentar os problemas cotidianos da ocupação. “Todas as decisões do acampamento são tomadas de forma coletiva, aqui ninguém impõe nada a ninguém” destaca um agricultor presente.

Em pauta, estava a aprovação de uma série de materiais para divulgar a luta dos camponeses. Também se discutiu a necessidade de batizar o acampamento com um nome que expresse a luta dos sem-terra. Percebe-se que devido às inúmeras tarefas do cotidiano, e ao fato da ocupação ser ainda muito recente, não houve tempo para discutir essa questão.

Ramos, um dos dirigentes da ocupaçãoEsse funcionamento contrasta com os acampamentos dirigidos de forma ultra-centralizada pelo MST. Ex-integrante do movimento, Ramos fala com autoridade sobre o assunto. “Entremos em 1997 no MST, na primeira ocupação em Tremembé. Depois de lá fomos pra várias outras fazendas até chegar na Santa Rita. De três anos pra cá, depois de uma série de atitudes do MST, querendo impor sua normas e sua política, de que só eles têm direitos, nós começamos a formar dentro do assentamento uma associação, que começou a romper com eles” - disse o dirigente, que completou:“Vemos que dentro da Conlutas nós temos a liberdade de discutir uma forma de ocupar”.

Ramos também não poupou críticas à relação entre o MST e governo Lula. “O MST fechou com o governo Lula. Ficou muito conivente com as políticas do governo. Nós não concordamos com essa situação, achamos que a luta tem que continuar independentemente de que governo esteja no poder”, disse.