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Fazenda estava abandonada há 14 anos Ao chegar ao local, a reportagem foi recebida por Ramos, um dos dirigentes do acampamento. Ele explica que a área estava abandonada há 14 anos e pertencia a Engesa (Engenheiros Especializados S/A), antiga indústria de material bélico, famosa nas décadas de 70 e 80 por fabricar tanques e foguetes. A
área, que possui ao todo 629 hectares, já foi utilizada como campo de exercícios
militares. É possível encontrar ainda resquícios desse período, nas carcaças
de blindados Urutu e Cascavel espalhados pela fazenda. A Engesa faliu no começo dos anos 90, devido, sobretudo, aos embargos que alguns países sofrem das Nações Unidas, como Iraque e Líbia, dois dos maiores compradores dos blindados brasileiros. “Desde o processo de falência da Engesa a fazenda está penhorada para cobrir dívidas junto ao INSS e à Receita Federal”, explica Ramos. Contudo,
nesse período a área foi ameaçada de grilagem pelo proprietário da fazenda
de gado Dengosa, vizinha da ocupação. “Devagarzinho estavam ocupando, colocando
os animais deles. Inclusive a antiga casa da fazenda estava sendo reformada
por eles”, explica Ramos. A gradual ocupação pelo fazendeiro é visível a
uma simples observação dos montes em volta. Em alguns deles, a diferença
de cores (causada por diferentes tipos de pastagens) denuncia a invasão.
Até mesmo um agricultor que habita a região há 28 anos foi expulso pelo fazendeiro invasor. “O seu José Bandeira, que nos chamamos de seu Zé Baiano, mora aqui antes mesmo da área pertencer a Engesa e nunca foi incomodado”. Certo dia, porém, a tranqüilidade de seu Zé foi quebrada quando ele foi impedido pelo fazendeiro de entrar na sua própria casa. “Instalaram uma porteira aqui e o proibiram de entrar”, relata o dirigente. Seu Zé só pôde retornar a sua casa depois da ocupação dos sem-terra da Conlutas. |