Esperanças e ameaças

Entrada da fazendaDepois de percorrer uma estrada de terra batida, o visitante se depara com uma porteira onde estão hasteadas bandeiras e faixas da Conlutas. Um pouco mais adiante, uma pequena casa abriga 12 pessoas de uma mesma família. Todos já começaram a trabalhar na terra, preparando o terreno para o plantio. “Estamos limpando aqui para começar a fazer a nossa rocinha”, explica um dos ocupantes da casa.

Criança arruma alimentos doadosComo em toda ocupação, as condições de vida são bastante duras. As famílias estão distribuídas em barracos de lona preta por toda a fazenda. Não há ainda água potável e nem luz elétrica. Os banhos são tomados em um riacho e a alimentação depende das doações obtidas junto a campanhas aos movimentos sociais e populares da região.

Tensão no primeiro dia
As maiores ameaças contra os sem-terra foram feitas no primeiro dia de ocupação. Por volta das 22h, cerca de dez viaturas da polícia militar chegaram sorrateiramente a fazenda. “Com o farol desligado, eles desceram fazendo uma série de acusações contra nós. Em todas as ocupações que participei eu nunca vi tanta polícia como naquele dia”, diz Ramos.

Depois de uma longa discussão, os ocupantes conseguiram impedir a entrada dos policiais dizendo a eles que aquela era uma operação ilegal, já que não contava com mandato judicial. Até agora, a polícia não retornou mais.

Contudo, isso não significa que os sem-terra estão livres de ameaças. Ramos conta que o fazendeiro vizinho costuma dar tiros para o alto de um morro “tentando aterrorizar o pessoal aqui de baixo”, diz. Relata também perseguições de carros feitas pelo fazendeiro. A truculência do vizinho é vista até na placa instalada na porteira de sua fazenda, onde se lê: “Cuidado. Cão manso, dono bravo”.