18 de setembro: Construindo nas ruas uma alternativa dos Trabalhadores contra o Governo Dilma e a Oposição Burguesa

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    Marcha dos Trabalhadores e Trabalhadoras contra governo Dilma e a velha direita
    (foto: Romerito Pontes)

    Não há luta contra os ataques aos direitos sem lutar contra o Governo Dilma: a esquerda precisa se unir para lutar contra o governo e a oposição burguesa

    A marcha dos trabalhadores e trabalhadoras realizada em São Paulo neste 18 de setembro marcou o primeiro passo para afirmar no país uma alternativa de classe, dos trabalhadores e trabalhadoras, contra os dois blocos da burguesia que disputam o cenário político do país.
     
    Foi a primeira manifestação dos trabalhadores que fugiu da falsa polarização criada entre os defensores do governo do PT (que fizeram atos dia 20 de agosto) e a oposição burguesa chefiada pelo PSDB e PMDB (que fizeram atos em 16 de agosto).
     
    O Encontro Sindical e Popular convocado pela CSP-Conlutas e pelo Espaço de Unidade de Ação, que aconteceu em 19 de setembro, apontou para o fortalecimento e ampliação deste processo por todo o país: plenárias sindicais e populares nos estados para a realização de manifestações com este mesmo caráter em todos os estados e cidades importantes.
     
    Frente à revolta dos trabalhadores contra o governo do PT pelos reiterados ataques que este faz aos seus direitos, a oposição burguesa, encabeçada pelo PSDB e setores do PMDB, tenta mostrar-se como alternativa para o país. Na verdade, são sócios e cúmplices das mesmas políticas desenvolvidas pelo governo Dilma. O PSTU acredita que a classe trabalhadora precisa lutar contra os dois. Os trabalhadores precisam tomar as ruas para colocar abaixo este governo, e varrer junto com ele toda esta corja do PSDB e PMDB que dominam o Congresso Nacional e o governo de vários estados.
     
    É isso que queremos dizer ao afirmar que Basta de Dilma/PT, Aécio/PSDB, Temer e Cunha/PMDB. Sem isso não vão parar os ataques aos nossos direitos. E é na luta que os trabalhadores e trabalhadoras brasileiras hão de construir uma alternativa para que nossa classe possa governar, e mudar o Brasil.
     
    Por esta razão, para nós, tem tanta importância a construção desta unidade para lutar contra o governo e a oposição burguesa que está em curso a partir de iniciativa da CSP-Conlutas e das entidades do Espaço de Unidade de Ação. Levar adiante este processo é a principal tarefa colocada neste momento.
     
    MTST e direção do PSOL: ausências injustificáveis 
    Apesar dos reiterados convites e chamados da CSP-Conlutas, a direção do PSOL negou-se a convocar a marcha e a comparecer, participando dela e do Encontro no dia seguinte, apenas alguns coletivos da juventude deste partido participaram. O mesmo fez o MTST, que se negou até a fazer uma simples saudação à marcha.
     
    O MTST e a direção do PSOL ajudaram a organizar e participaram da manifestação de 20 de agosto, que foi de defesa do governo. As críticas ao “governismo” feitas a posterior não diminuem sua responsabilidade neste episódio. Mas se negaram a participar da marcha de 18 de setembro. Para estas organizações, participar de um ato feito para blindar o governo não tem problema. Inadmissível mesmo é participar de atos contra o governo do PT e contra a oposição burguesa.
     
    Por que o MTST divide o esforço da esquerda para mobilizar os trabalhadores contra o governo e a oposição burguesa?
    O MTST acaba de lançar uma “Frente Povo Sem Medo”, juntamente com a CUT, CTB, UNE e outras organizações governistas. Esta frente hierarquiza seus objetivos pela luta “Contra a ofensiva conservadora e as saídas à direita para a crise”, e afirma que “sabemos que é preciso independência política…”. Mas independência política de quem? Do governo? Ora, independência não é neutralidade, nem apoio crítico. Os trabalhadores e o povo pobre deste país estão revoltados com este governo. E o MTST, de que lado fica? Dos trabalhadores e sua revolta, ou ajudando a blindar o governo?
     
    Frente a um governo que está atacando os direitos dos trabalhadores, como o faz o governo do PT, não há independência a não ser numa luta feroz contra ele, para defender os direitos dos trabalhadores. Se o MTST quer mesmo se pautar pela independência política do governo que aí está, deve somar forças com as dezenas de organizações e entidades que convocaram a marcha do dia 18 para construção de uma alternativa de classe, contra o governo do PT e contra a oposição burguesa.
     
    Não há luta contra os ataques aos direitos sem lutar contra o Governo Dilma: a esquerda precisa se unir para lutar contra o governo e a oposição burguesa
    O governo Dilma é hoje o principal instrumento dos bancos, do grande empresariado e das multinacionais para atacar os direitos dos trabalhadores e promover o ajuste fiscal neoliberal. Tudo isso para proteger os interesses dos bancos e jogar o custo da crise nas constas do povo.
     
    O argumento da direção do PSOL e do MTST, de que a luta principal é contra a direita e o governo é um mal menor, não se sustenta. Não há “mal menor” nessa falsa polarização entre o governo Dilma-PT (e todos seus aliados de direita) e o PSDB. É falso debitar todo esse ajuste apenas à Levy e ao Congresso.
     
    O ajuste fiscal e os ataques aos nossos direitos não estão sendo feitos contra o governo Dilma e o PT por um “golpe da direita”. Estão sendo feitos pelo governo do PT e seus aliados de direita, como Levy, contra os trabalhadores. Este é o “golpe” que realmente está em curso. Não é por acaso que a oposição burguesa apoia a aprovação do ajuste fiscal no Congresso.
     
    Ficar no meio do caminho, dizendo-se contra o ajuste, mas blindando o governo ou fazendo de conta que ele não existe, dificulta que a classe enxergue com nitidez seus inimigos, atrapalha a luta unitária da classe trabalhadora, impede uma luta coerente contra o ajuste fiscal. Ajudar a blindar o governo Dilma é ser cúmplice das políticas que aplica contra os trabalhadores.
     
    Alternativa de esquerda, classista, para o país, só se constrói na luta contra o governo do PT e contra a oposição burguesa. Por isso chamamos, mais uma vez, a direção do PSOL e o MTST para que venham somar-se à construção da luta contra o governo do PT e contra o PSDB e PMDB.
     
    Ao invés de fazer frentes com o governismo para blindar o governo, vamos juntos chamá-los a romper com o governo para convocar uma greve geral.
     
    O Brasil precisa de uma Greve geral. A CUT precisa romper com o Governo
    O apoio das grandes centrais sindicais ao governo, como faz a CUT, fez recuar a unidade de ação que permitiu a realização de dois dias de luta importantes no país (15/4 e 29/5). Agora estão juntas com o governo apoiando ataques aos nossos direitos, como o PPE, que longe de proteger o emprego, protege mesmo é o lucro dos patrões reduzindo o salário do trabalhador.
     
    O sindicato dos metalúrgicos do ABC já assinou acordos de redução dos salários de milhares de trabalhadores, como na VW, na Mercedez e na Ford de São Bernardo. Estes pactos com os patrões para que os trabalhadores paguem a conta da crise só facilitam os ataques aos nossos direitos, como o último pacote de maldades anunciado pelo governo.
     
    Parar estes ataques que vem sendo feitos exige uma Greve Geral no país. A CUT e demais centrais governistas precisam romper com o governo, a Força Sindical precisa romper com o PSDB para, junto com a CSP-Conlutas, convocar uma Greve Geral que pare o país em defesa dos direitos que estão sendo atacados.
     
    Para nós, a unidade dos trabalhadores para lutar é fundamental. Se a CUT e demais centrais estiverem dispostas a convocar a luta contra o ajuste fiscal e os ataques aos direitos dos trabalhadores estamos prontos para lutar juntos, ainda que se mantenham nossas diferenças e não queiram romper suas alianças com o governo e o empresariado. São diferenças que seguiremos debatendo enquanto lutamos. Este é o desafio que fazemos, à estas centrais e aos sindicatos de base que são a elas filiados.
     
     
     
     

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