“Central Única dos Traidores” enterra greve dos bancários com golpe nas assembléias de São Paulo

14

Quem esteve na assembleia dos bancários do Banco do Brasil nesse dia 26 em São Paulo assistiu a um triste espetáculo. A greve terminou no tapetão. No golpe. Isso mesmo, um golpe promovido pelo pessoal da CUT, para garantir que a greve realmente terminasse, independente da vontade dos bancários!

A proposta era indefensável e isso pôde ser sentido nas falas dos diretores do sindicato que tiveram a árdua tarefa de defendê-la perante o plenário. Aqueles que bradavam, há apenas poucos dias atrás, que tínhamos a maior greve dos últimos 20 anos (!) e que ela não acabaria sem “aumento real”, puseram-se de joelhos diante dos banqueiros mediante uma proposta de 0,12% de aumento acima da inflação! Mas o pior de tudo é que a proposta específica, que poderia resolver problemas como o assédio moral, as metas, a dependência das comissões, não apresentou nenhum avanço!

O BB pressionou os gerentes a comparecerem para votarem pelo fim de nosso movimento, porque sabia que, a depender da vontade dos demais funcionários, a greve continuaria. Até vídeo conferência eles fizeram! E muitos atenderam ao chamado.

Para evitar o voto de cabresto dos gerentes e garantir que todos pudessem votar sem constrangimento, propusemos que o voto fosse secreto. Primeiro golpe: a questão não foi sequer submetida ao plenário. O diretor do sindicato, Ernesto Izumi, sob protestos e muitas vaias, decretou que o voto seria aberto porque assim mandava a tradição e seguiu a assembleia.

Após as defesas, foi encaminhada a votação. O plenário dividiu-se. Reivindicamos que houvesse contagem dos votos. Segundo golpe: a diretoria do sindicato negou-se a fazer a contagem. Decretou como vencedora a aceitação da proposta dos banqueiros e, de cima do palanque, protegidos por vários seguranças contratados, proclamou o fim da greve. Os bancários protestaram muito, mas a burocracia sindical não costuma ouvir sua base. E assim nossa greve acabou.

Depois, soubemos que na assembleia da Caixa repetiu-se exatamente o mesmo triste espetáculo. Eles realmente estavam dispostos a tudo para, junto com a direção dos bancos, enterrar o nosso movimento diante de uma grande plateia que lotou as assembleias, mais uma prova de que a greve era forte e poderia continuar.

Mas não enterraram a nossa indignação que, ao contrário, cresce e deverá servir para aumentar ainda mais a nossa luta pra retomar para as mãos dos bancários e bancárias o controle sobre nosso movimento. A CUT, que dias atrás fez de seu congresso um palanque para defender o governo Dilma, que promove ataques gravíssimos aos trabalhadores com seu ajuste fiscal, demonstrou nestas assembleias que definitivamente é a Central Única dos Traidores. Não serve mais como instrumento de organização dos trabalhadores, pois é um pilar de sustentação do governo do PT no movimento sindical.

Precisamos agora transformar nossa indignação em ação, participando ainda mais do movimento e fortalecendo nossa organização nos locais de trabalho. Vamos manter nossos grupos de WhatsApp, que ajudaram na nossa organização durante a greve e fortalecer nossa comunicação nas redes sociais, tentando convencer mais e mais colegas da necessidade de superarmos esta direção traidora. Meu mandato no Conselho de Administração também estará a serviço deste objetivo.

Enterremos o velho e construamos o novo! Fora burocratas governistas da direção do nosso sindicato!

Parabéns pela nossa greve!

*Juliana é representante dos trabalhadores no Conselho Administrativo do Banco do Brasil